sábado, 27 de fevereiro de 2010

Some Pics

Victoria Memorial GreenPark Gates
Buckingham Palace







Victoria Station

Igreja em Crawley

Pub e feira em Crawley


Pub @ Crawley


Diario de Bordo II

Apesar do meu estado de saude andar meio na corda bamba, ando-me a sair bem pelas terras britanicas. Ando a ver se consigo esfregar a palavra "imigrante" da minha testa, pelo menos para evitar que as pessoas parem de olhar para mim na rua quando ando, parece que sou alguma especie de America's Most Wanted ou algo do genero (pelo menos nisso prefiro Londres, la e' facil passar despercebido).
Tenho andado a tratar dos meus papeis e a procura de trabalho, ao mesmo tempo que vou aproveitando para passear um pouco por Londres (estive no Palacio de Buckingham, no lado de fora, como e' obvio, e passei um pouco por Nothing Hill), tambem ja fiz uma lista de sitios a visitar, o que inclui o Kensington Palace (onde nasceu a Rainha Victoria), o Albert Memorial (em Kensington Gardens), o Museu do Sherlock Holmes, etc.
Nao conheci muita gente, se querem que vos diga. Neste momento a minha misantropia atingiu o alerta vermelho.
Ps: Vou a Privet Drive pedir a tia Petunia e ao tio Vernon pra me alugar a despensa onde o Harry dormia.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Can you catch me in the rye?

(Suspiro)



Hoje acordei tipo Jack Kerouarc, pronta para ir "on the road", mas ao final do dia acho que vou dormir como Holden Caulfield, pelo menos anima-me o facto de saber que ando a fazer furor por entre as criancinhas luso-inglesas aqui da zona (tenho um appoitment pra irmos brincar ao "Grandma's Footsteps", e' como voltar aos tempos do Porto Pirata! God, I love children!).


Depois de um passeiozinho matinal por Crawley, cidadezinha pacata, peguei em mim para ir ate Nothing Hill, para conhecer algumas pessoas. Valeu a pena, alem de lavar a vista com o record de mais homens bonitos num dia do que em Portugal em toda a minha vida, deu para dar uma voltinha pela cidade e nao da para nao ficar encantada com esta cidade (embora ja me enjooe um pouco olhar para todas as notas e ver a cara da Rainha - nao sei porque mas acho-a com cara de velhinha cleptomaniaca). Anda tudo a desenrolar-se nestes ultimos dias a velociade de um TGV e as situacoes andam-me a obrigar a tomar decisoes precipitadas (coisa em que nao sou perita, dado que as pessoas do meu signo gostam de ponderar bastante). Anyways, desenrasquei-me bem em Londres, tanto no subsolo como em cima, e regressei a Crawley, onde cometi a idiotice de me perder dentro do aeroporto. Ando a olhar para o abismo a ver se alguem me apanha no campo de centeio. Chorei ao telefone a falar com a minha tia e sinto saudades de metade da minha lista telefonica. As vezes eu gostava que a genetica fosse so fisica, nao psicologica, as vezes eu gostava que esses tipos como o Adam Smith e o Milton Friedman nao tivessem sido o espermatezoides mais rapidos.


PS: Ando com vontade de ir a uma reuniao do Labour Party.


PS1: Ja tive multiplos orgamos a ver a programacao inglesa. Tragam os tipos da SIC e da TVI pra estagiar aqui!
Arquitectura de Nothing Hill
Edward VII, filho de Victoria e Albert (por culpa dele, o seu pai morreu, o que levou a sua mae ao luto ate ao final da sua vida ). Em homenagem a ele foi feito o Parque Eduardo VII em Lisboa (o coitado deve dar voltas no tumulo se soubesse os fins obscuros desse parque)
Obs: Nao ando com imaginacao pra fotos

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Diario de Bordo

(As regras de acentuacao continuam a deixar qualquer professor de Portugues com falta de ar)

Por motivos de forca maior sai de Spalding e vim para Londres. Uma palavra: "UAU"! A agitacao, as pessoas a caminhar frenticamente, a diversidade de pessoas... so essa interjeicao pode descrever o meu sentimento. Como diria o professor Gilmar, fiquei "perpreclita" de "olhar e ver". Belive me, ponham na vossa lista de 10 coisas a fazer antes de morrer (ao lado de ler o The Catcher in the Rye e descobrir porque que a Hannah Montana vende CD's), uma visita a capital do Reino Unido. Nesta cidade todos os superlativos transforma-se em imperfeitos adjectivos.

Neste momento sinto-me orgulhosa de mim mesma. Deve ser do conhecimento geral a minha tara quase sexual por metropolitanos (perguntem 'a Rafa) e hoje, depois de ter apanhado o comboio em Spalding para King's Cross, aventurei-me sozinha na selva que e' o London Underground. So muito recentemente aprendi a desenrarcar-me no metro de Lisboa (nao sem antes comenter a estupida gaffe de achar que o Colombo ficava no Oriente), mas consegui desenvencilhar-me pelo metro londrino com a pericia de um profissional (e claro, mandei uma mensagem 'a Rafa para celebrar a minha proeza, e que venha o New York Subway! I'm ready for it!). Agora ficarei em Crawley ate nova ordem.

De momento nao tenho muito a dizer. As pessoas de Londres nao sao tao afaveis quanto as de Spalding. Peco desculpa pelas fotos do post anterior mas acho que deixei a minha qualidade de tirar fotos em Portugal. Alem disso estou sem pilhas, mas em breve virao fotos melhores.

Ps: Tenho que voltar a King's Cross para procurar a plataforma 9 e 3/4, famosissima gracas ao Harry Potter.

Ps1: Viajei para Londres com uma quantidade infidavel de executivos engravatados e com pinta de ricos, o tipo de pessoas que passeia por Wall Street, le a Forbes Magazzine e odeia os documentarios do Michael Moore. Em homenagem ao grande Mikey, pisei o sapato engraxadinho de um ricaco.

A Little Bit of Britain

Quadro na casa da Mrs. Rose, alguem mais viciado em gatos que eu xD
Igreja em Spalding




Spalding


Ely

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Primeiras Impressoes

Antes demais quero pedir desculpa pelos erros ortograficos que evidentemente irao encontrar no texto, mas enquanto nao tiver o meu computador comigo novamente nao vou conseguir colocar "C's" de cedilha ou acentos ortograficos. Tambem estou a escrever de um Internet Cafe e o computador nao tem funcionalidade para aceitar cartoes de memoria, por isso nao consigo postar fotos.
A viagem correu bem. Viajei com uma familia de americanos e foi muito bem tratada pelo staff da Raynair (aproveito para fazer propaganda, eles tem uns cappucinos deliciosos). Deu para rir um bocado no aviao.

Inglaterra! Finalmente ca estou, em Spalding. E uma cidadezinha pequena, 23 mil habitantes, em alguns aspectos ate me lembra Grandola, principalmente pela quantidade de Cooperativas que se ve por aqui, as pessoas ate sao tao afaveis como os grandolenses, so lamento nao ter ca a familia Rodrigues.
Durante este fim-de-semana dei um passeio pela cidade que, diga-se de passagem, lembra-me as cidades que aparecem nos filmes da Miss Marple. Tudo muito pitoresco!
Confesso que esperava ver muitos indianos e paquistaneses, mas acho que eles devem viver mais a sul. Ate agora o que ha muito e polacos... parece que estou em Almancil. LOL.
Passei um pouco pelas lojas e fiquei escandalizada por encontrar All Stars a 32 libras! E ultrajante sabendo que em Portugal elas custam 60 euros. E incrivel tambem a quantidade de produtos fabricados em Inglaterra que se ve nos supermercados... e produtos que respeitam as regras do comercio justo. Nao e a toa que eles sao uma forte potencia (claro que invadir outros paises e ter um passado colonialista ajuda) mas um pais que nao produz produtos nacionais nunca podera ser auto-sufeciente (esperemos que isso entre na cabeca dos portugueses). Vejo que os ingleses tem uma auto-estima elevada face a sua historia, coisa que nao parece existir em Portugal, ou caso contrario eles estariam a produzir filmes sobre episodios da sua monarquia, factos da sua historia ou ate biografias das suas celebridades (e um crime ainda nao terem feito um filme sobre o Fernando Pessoa!)... sempre e melhor do que aquela porcaria de producao nacional que espetam na TVI e SIC com novelas com nomes que quase temos que travar a respiracao para pronunciar, tipo "Podia acabar o mundo"! ou as copias ridiculas do Crepusculo que passou nos dois canais. Se a RTP 1 e 2 investir nas suas producoes, belive, vao longe.
Bom, em breve postarei algo mais e com calma irei visitar os blogs que usualmente acompanho. So ca estou ha 3 dias mas "saudade" e uma palavra que nao me sai da cabeca. Saudades dos gritos da minha mae, do mau humor matinal da minha irma, de ler os pensamentos da Raissa e do ronronar do Theo.
Saudacoes britanicas!
Ps: Porque que em todas as notas tem que tar smp a cara da Rainha Elisabeth. Ok, ela e a actual monarca, mas supondo que um rei sobe ao poder e passados dois anos morre ou abdica ou whateva, vao ter que trocar as notas? Bah, podiam por as caras dos outros reis tambem... ou entao punham a cara do Principe Albert de Saxe-Coburg & Gotha nas notas de 20 libras, sempre e melhor que la ter a cara do Adam Smith, o patrono do capitalismo, pra quem nao sabe.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Farewell

Fui!

Obs:

Vou ficar algum tempo sem aparecer na net pois o meu notebook avariou e vai ficar em Portugal para ser arranjado. Vou tentar aceder à net via net-cafés na esperança de vos manter informados das minhas peripécias.

Obrigado a todos aqueles que tornaram este último dia em Portugal especial. Em especial à Verinha que me presentou com duas ofertas incalculáveis (ganhei um Calendário do Robert Pattinson!!!!). Obrigado também àqueles que não puderam estar presentes mas que mandaram mensagens, emails, telefonemas, sinais de fumo, pombos correio e telegramas. Conto com a vossa visita em Spalding!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Preparativos

Dia 19 já está quase aí o tempo urge. Neste momento sinto-me como se tivesse uma agenda semelhante à de um actor de Hollywood (e eu que pensava que essas grandes estrelas passavam o dia na piscina a beber martinis e a comerem-se uns aos outros). Ainda há coisas a fazer antes de me ir embora, pessoas de quem tenho de me despedir e por aí a fora. Tanta coisa e tão pouco tempo. E claro, tenho-me deparado sempre com as grandes situações que afectam os viajantes.

- Como é que vou conseguir enfiar 15kg em cada uma das duas malas que tenho que levar (totaliza 30kgs). Isso implica uma escolha minuciosa no guarda-roupa, porque da indumentária toda que tenho, e vocês sabem como são as mulheres, tenho que escolher algo prático e confortável para usar por lá, mas já sei que depois, quando estiver a analisar a roupa que levei, vai ser: «porquê que trouxe estas calças? Não combinam com estes ténis!» «Qual o propósito da camisa turquesa? Não há nada que combine com essa cor!». Grrr… porquê que não inventam uma daquelas cápsulas que aparecem no Dragon Ball? Assim era muito mais fácil transportar as c
oisas, incluindo o guarda-fato.

- Nesses 30kg tenho que seleccionar alguns livros para levar, o que é algo frustante, porque 30kg deve ser o peso da primeira prateleira da minha biblioteca (modéstia à parte). Como escolher qual levar? De certeza que quando estiver em Inglaterra, a ler um exemplar de «Rebecca» de Daphene du Marrier à meia-luz do candeeiro vou atirar o livro para um canto (de maneira cuidadosa, porque os livros são para ser tratados com amor) e vou dizer: «Porquê que trouxe este? Eu quero é ler Os Maias (outra vez!).»

- Ainda nesses 30kg há que arranjar espaço para levar recordações para as pessoas que nos esperam na outra terra. Porquê que toda a gente que vem a Portugal leva sempre uns quilinhos de bacalhau para casa? Ok, costuma-se dizer que em Portugal h
á mil e uma maneiras de se comer bacalhau, mas não é um bacalhau uma criatura das profundezas norueguesas? (tenho que perguntar a quem já foi à Noruega se costuma trazer bacalhau). Bom, pelo menos é mais prático levar bacalhau congelado na mala do que sardinhas (eu gosto do Algarve, mas não quero levar o aroma dele dentro da minha mala!). Porquê que não me pediram uma garrafinha de vinho do Porto? Ah, claro, porque a maior parte das adegas desse vinho pertencem aos ingleses (deve ser mais fácil arranjar Porto na Inglaterra que bacalhau. Pelo menos é o que me parece quando os turistas ingleses ficam sempre tão espantados por os portugueses comerem bacalhau com espinhas e não ser uma versão foleira congelada tipo «Fish Fingers»).

- Preocupa-me sempre que vão implicar com os nossos documentos no aeroporto. Sabem como é, os documentos tem aquele prazo de vencimento longuíssimo e então acho que tenho o mesmo Bilhete de Identidade desde os meus 15 anos (e graças a Deus mudei bastante). É um bocado difícil dizer que me pareço com o que era há 6 anos atrás, e isso é visível nas fotos. Só espero que não pensem que os documentos são roubados. Não sei porquê mas tenho sempre a expectativa de que o polícia me vá perguntar: «Onde é que está a verdadeira Camila Santos?». E depois já sabem, aparece a Imigração, mandam-te para uma sala fechada com aqueles pobres coitados da Nigéria ou de qualquer um daqueles países de que só ouvimos falar nos Jogos Olímpicos, depois somos deportados (e rezar para que nos mandem para o sítio certo. Pergunto-me porquê que acham que Portugal é uma província espanhola).

- As fotos dos passaportes fazem-nos sempre parecer um daqueles mexicanos chamados Consuelo ou Gusmarro que foram apanhados na fronteira mexicana com o Texas. Porquê que não podemos sorrir nessas fotos!

Acho melhor ir fazer as malas!

Obs: Apesar deste post a roçar a tentativa frustrada de humor, devo dizer que uma parte de mim (e uma parte bem grande) está de “luto”. É algo de que muitos de vocês irão rir, principalmente aqueles que não sabem o que é gostar muito de um bichinho de estimação, mas hoje encontrei o meu gato que estava foragido há uma semana, morto. Só queria prestar-lhe uma humilde “homenagem” neste espaço. Acho que ele é um campeão por ter-me aturado tanto tempo.

Rudolfo Tavares

20 de Março 2009 - 17 de Fevereiro 2010

God Save the Cat!

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Forget Me Not


Este post foi escrito ao som de: Don’t You Forget About Me, dos Simple Minds

Devo dizer que a memória humana é das coisas mais ambíguas que existem. A grande maioria das pessoas diz que a memória é tipo uma peneira e que o tempo cura tudo, mas então porquê que existe a famosa expressão: «os elefantes nunca esquecem» (depois de conhecerem a minha avó vocês vão ver que esta expressão é mesmo verdade, acho que ela lembra-se de todas as discussões que teve com o meu avô desde que ele se casaram lá em meados de 50 e qualquer coisa). Eu diria que a memória humana é algo volátil, especialmente para aquilo que lhes convém.

O post de hoje talvez roce o deprimente e dê uma boa letra a ser adaptada por alguma bandinha emo que responda pelo nome de Fresno, NX Zero ou Simple Plan (confesso que já chorei a ouvir Fresno e Simple Plan é inevitável… já passamos por aquilo que eles dizem nas letras deles… NX Zero… deixo em off), mas enfim, hoje acordei meio Holden Caulfield, achando tudo “deprimente p’ra burro” e com uma vontade ainda maior de apanhar criancinhas no campo de centeio (por favor, prometam-me que depois de lerem esta porcaria, vão ler o The Catcher in The Rye… é tipo das 10 coisas a fazer antes de morrer – ao lado de descobrir como é que dão trabalho à Hannah Montana! [francamente, há pessoas no desemprego com mais talento que essa teen idol com distúrbio de personalidade múltipla!]).

Acho que a sociedade nos impõe um código moral de como devemos de agir de forma politicamente correcta nos mais variados momentos. Como quando sabemos que um amigo vai mudar de cidade, estado, país, continente, planeta, galáxia, etc. Deve ser sempre bom dizer que vamos sentir saudades dele, mesmo que não estejamos minimamente preocupados ou que, no fundo até estejamos feliz por o ver pelas costas. Talvez não seja o caso, mas quando comecei a dizer que me ia embora para Inglaterra, tenho ouvido as mais diversificadas frases como «Oh, vais mesmo embora… isto já não vai ser a mesma coisa ti» «Não vás… o que vai ser de mim se te fores embora» … sim, até uma coisa bonita de se ouvir, deixa-nos com o peito inchado de orgulho porque pensamos que haverão pessoas que ficarão mesmo tristes quando formos embora, até seria assim se a pessoa que me diz que a sua vida já não será a mesma sem mim a aqui só me tenha visto duas ou três vezes. OK, eu não sou nenhuma J.K.Rowling ou uma Keira Knightly (o dia em que essas mulheres morrerem devia ser declarado feriado!), tenho a minha certa piada, digo umas coisas disparatas para fazer os outros rir, sei as falas do Edward Cullen de cabeça e costumo citá-las em momentos que agora não vem ao acaso («Não quero viver num mundo em que tu não existes»… it works!) mas acho que dizer que a vida vai mudar quando eu me for embora já é algo exagerado… não seria mais correcto usar um «Oh, lamento que te vás embora, ‘tava a gostar de te conhecer», sempre é mais convincente e perto da realidade… quem diz a frase acaba por fazer figura de parvo e por me deixar assustada (eu fico tipo «uou, se só de me ter visto duas vezes ele já diz isso, então se eu ficar mais tempo junto desta pessoa, é bem capaz de se tornar numa espécie de stalker ou algo do género» e eu não quero acabar na arca frigorífica de ninguém). Depois, a outra categoria de pessoas, os: o-que-será-de-mim-quando-te-fores-embora, esses já são amigos mais chegados e essa frase até nos deixa algo emocionados e reticentes em ir embora, especialmente quando vamos para uma terra onde não temos amigos, mas as coisas acabam por cair por terra qual castelo de cartas quando convidas essas pessoas para sair e elas cortam-se, ou então ficas a espera que te convidem, mas parece que o pombo correio se enganou na casa ou então quando a pessoa que te diz isso é tua amiga, vive na cidade que tu mas raramente a vês (meu, como é que vais ter saudades minhas se mal me vês, vai ser como se eu continuassem em Albufeira). Porquê que as pessoas não se limitam a dizer algo mais minimalista e coerente em vez de se meterem em frases complexas que não transparecem em nada aquilo que sentem?! É bonito de se dizer, mas no fundo torna-se ridículo quando comparado com as atitudes deles. Mas também quem sou para julgar estas coisas: quantos de nós seguem aquilo que dizem? Se nem os políticos e os padres o fazem, porque haveriam as pessoas comuns de o fazer?

Já parei de pensar que esses amigos que dizem passar por uma depressão pós-Camila quando eu me for embora vão fazer uma festa surpresa de despedida e tudo mais, porque pelo que dizem, era o que iriam fazer, mas as suas atitudes mais parecem revelar que a festa surpresa vai ser para comemorar a minha ida. Uma das coisas que a vida me ensinou foi a dar valor àqueles que se preocupam connosco de verdade, e tal vê-se pelos actos.

Agradeço a todos que se tem mostrado incansáveis nos apoios nesta nova reviravolta na minha vida e que tem feito de tudo para que eu me divirta nos últimos dias em Portugal. Aos outros, só me resta dizer que se lembrem tenuemente de mim, pelo menos quando virem o Robert Pattinson podem dizer: «Lembram-se daquela moça, a Camila, ela gastou uma fortuna no cinema para ver o Lua Nova duas vezes só para ver esse tipo». Yeah, that’s me.

Ps: Desculpem o tamanho colossal do posto, acho que vou trazer o minimalismo aos meus textos.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

New Born

O peregrino sobre o mar de névoa, de Caspar David Friedrich (a literatura do período romântico é enfadonha, mas a pintura é sem dúvida deslumbrante)


De todas as criaturas lendárias, devo dizer que a Fénix é Sem dúvida das mais belas. A imagem de uma excelsa ave feita de fogo que vive por 500 anos até se queimar a si mesma para depois voltar a nascer das suas próprias cinzas para viver mais 500 anos poderia ser facilmente retratada numa tela de algum pintor romântico como Delacroix ou Henry Fuseli. Que símile mais irrepreensível para alguém que pretende um novo começo: «renascer das cinzas como uma Fénix», começar dos seus próprios erros para se reinventar. Estou prestes a fazer isso, a reinventar-me, e nada melhor do que a criação de um novo blog a fim de celebrar as transformações que brevemente irão ocorrer na minha vida.

Até há bem pouco tempo, antes de findar o curso académico, creio ter passado por uma penetrante letargia que me impedia de ver as coisas como elas realmente eram. Sabem como é, passamos 15 anos das nossas vidas enfiados entre quatro paredes numa sala de aula, com os narizes mergulhados nos livros para alargarmos a nossa mente e cultivarmo-nos culturalmente de modo a conseguirmos o famoso canudo para orgulharmos os nossos pais que tanto se esforçaram na nossa formação académica. Quando tudo isto acaba, a única coisa que queremos é encontrar um trabalho na área em que estudamos, tornarmo-nos alguém renomado nessa área, ter o nosso próprio apartamento e tirar o mês de Agosto de férias todos os anos. Que idiota ingénua! Quando tudo isto acabou e eu percebi que ninguém iria dizer «e viveu feliz para sempre» antes de o livro se fechar, a realidade atingiu-me com a violência de um soco no estômago e eu tornei-me mais um número da alarmante estatística de jovens licenciados desempregados. É profundamente desconcertante andar de lugar em lugar à procura de trabalho e ouvir respostas negativas, isto quando elas chegam, porque por vezes o silêncio é pior que um «não». Isto soma-se ao facto de residir numa região onde o trabalho é sazonal e transforma-se numa complicada equação à qual encontrei a melhor solução a meu ver, ainda que vá contra as regras de grandes matemáticos como Descartes e Newton (ah, metáforas são sempre tão úteis!).

Costumo pensar em nós, humildes habitantes do Algarve, como sendo a formiga trabalhadora naquela famigerada fábula de Esopo “A Cigarra e a Formiga”. Trabalhamos arduamente durante o Verão, horários de trabalho exaustivos que deixariam qualquer sindicalista em pé, tudo com o propósito de juntar todo o dinheiro possível para nos podermos manter no Inverno, altura em que mergulhamos numa hibernação laboral. É por isso que nos prestamos a aguentar o trânsito congestionado nos meses de Verão, que suportamos as filas monstruosas para os inúmeros serviços, que mal vemos as nossas casas, os nossos familiares e amigos, que esporadicamente vamos à praia e que lambemos os pés dos turistas ricaços na esperança de os fazer regressar no próximo ano. Todo este sacrifício advém do facto de sabermos que no Inverno todo a região irá ficar qual cidade fantasma típica de um western americano e as filas nos Centros de Emprego irão engrossar com pessoas desesperadas em busca de um emprego e que terão como único sustento as parcas economias que conseguiram amealhar durante os três meses de trabalho e os subsídios conferidos pelo Estado. É disto que eu estou a fugir!

A minha existência tornou-se terrivelmente mundana. Sem trabalho e sentindo-me impotente, em plenos 21 anos a viver as custas da minha mãe, tenho a impressão de que estou a desperdiçar anos gloriosos da minha preciosa vida acomodada a uma subsistência que nada mais me trará além de calosidades na região lombar. Estava na hora da Fénix abrir as suas assas e voar do ninho, procurar trabalho noutro lado, sair debaixo da asa da progenitora e fazer o seu voo sobre terras inóspitas e longínquas. Estava na hora de imigrar! Imigração, algo que está inerente na minha família desde que nos conhecemos como gente (o meu bisavô paterno era uma espécie de Indiana Jones e pululou pela Amazónia até descobrir em Moçambique a beleza que lhe vale o epíteto de «Jóia de África»). Eu podia ter ido para inúmeros lugares: Brasil, onde vive a minha família materna; Bélgica, onde vivem grandes amigos da família; Alemanha, onde tenho o tio que nem sabia que existia e que, supostamente (palavras do meu avô) tem uma filha que uma sósia minha; mas decidi ir para o país onde o pequeno-almoço mais parece a ceia: Reino Unido (e para que se conste, também tenho lá família)! Com a ideia partindo da cabeça da minha visionária mãe e a perspectiva afigurando-se promissora na minha vertiginosa imaginação, as palavras «liberdade» e «independência» não paravam de ressoar na minha cabeça.

Todavia, ao mesmo tempo o medo também parecia tomar conta de mim. A perspectiva do desconhecido, de viver longe dos meus entes queridos e de tudo aquilo a que já estou habituada parecia assustador, quase como caminhar por entre um nevoeiro sem saber ao certo por onde pisar. Quiçá eu não seja a pessoa mais temerária para este tipo de aventuras, nem a mais sociável para conhecer pessoas facilmente, mas dizem que a vida é feita para nos superarmos a nós mesmos, certo? Se assim for, só me resta colocar o meu elmo, agarrar na minha excalibur e partir para a batalha!

Estarei voando para o Reino Unido, mais precisamente para a pacata cidade de Spalding, no Lincolnshire, no dia 19 de Fevereiro, e dedicarei este blog a relatar as minhas vivências pelas terras que Tácito declarou como ”pretium vitoriae” – compensa a conquista, o melhor elogio vindo de um romano. O nome do blog é uma adaptação pessoal de um filme britânico que mescla comédia e drama, The Bad Mother’s Handbook, que conta com Robert Pattinson no elenco (a milhas de distância do papel que ele desempenha no Crepúsculo, acho que só serve para provar que ele é um actor bastante versátil, à parte do seu mau gosto em escolher namoradas!). Acho que o nome se enquadra um pouco a mim e àquilo que vou fazer dia 19 e aos planos que delineei para a minha vida doravante. We shall see…

Ps: Esta conversa sobre Fénix fez-me pensar num dilema: o que veio primeiro – a Fénix ou a cinza?