sábado, 27 de fevereiro de 2010
Diario de Bordo II
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Can you catch me in the rye?
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Diario de Bordo
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Primeiras Impressoes
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Farewell
Obs:Vou ficar algum tempo sem aparecer na net pois o meu notebook avariou e vai ficar em Portugal para ser arranjado. Vou tentar aceder à net via net-cafés na esperança de vos manter informados das minhas peripécias.
Obrigado a todos aqueles que tornaram este último dia em Portugal especial. Em especial à Verinha que me presentou com duas ofertas incalculáveis (ganhei um Calendário do Robert Pattinson!!!!). Obrigado também àqueles que não puderam estar presentes mas que mandaram mensagens, emails, telefonemas, sinais de fumo, pombos correio e telegramas. Conto com a vossa visita em Spalding!
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Preparativos
- Como é que vou conseguir enfiar 15kg em cada uma das duas malas que tenho que levar (totaliza 30kgs). Isso implica uma escolha minuciosa no guarda-roupa, porque da indumentária toda que tenho, e vocês sabem como são as mulheres, tenho que escolher algo prático e confortável para usar por lá, mas já sei que depois, quando estiver a analisar a roupa que levei, vai ser: «porquê que trouxe estas calças? Não combinam com estes ténis!» «Qual o propósito da camisa turquesa? Não há nada que combine com essa cor!». Grrr… porquê que não inventam uma daquelas cápsulas que aparecem no Dragon Ball? Assim era muito mais fácil transportar as coisas, incluindo o guarda-fato.
- Nesses 30kg tenho que seleccionar alguns livros para levar, o que é algo frustante, porque 30kg deve ser o peso da primeira prateleira da minha biblioteca (modéstia à parte). Como escolher qual levar? De certeza que quando estiver em Inglaterra, a ler um exemplar de «Rebecca» de Daphene du Marrier à meia-luz do candeeiro vou atirar o livro para um canto (de maneira cuidadosa, porque os livros são para ser tratados com amor) e vou dizer: «Porquê que trouxe este? Eu quero é ler Os Maias (outra vez!).»
- Ainda nesses 30kg há que arranjar espaço para levar recordações para as pessoas que nos esperam na outra terra. Porquê que toda a gente que vem a Portugal leva sempre uns quilinhos de bacalhau para casa? Ok, costuma-se dizer que em Portugal há mil e uma maneiras de se comer bacalhau, mas não é um bacalhau uma criatura das profundezas norueguesas? (tenho que perguntar a quem já foi à Noruega se costuma trazer bacalhau). Bom, pelo menos é mais prático levar bacalhau congelado na mala do que sardinhas (eu gosto do Algarve, mas não quero levar o aroma dele dentro da minha mala!). Porquê que não me pediram uma garrafinha de vinho do Porto? Ah, claro, porque a maior parte das adegas desse vinho pertencem aos ingleses (deve ser mais fácil arranjar Porto na Inglaterra que bacalhau. Pelo menos é o que me parece quando os turistas ingleses ficam sempre tão espantados por os portugueses comerem bacalhau com espinhas e não ser uma versão foleira congelada tipo «Fish Fingers»).
- Preocupa-me sempre que vão implicar com os nossos documentos no aeroporto. Sabem como é, os documentos tem aquele prazo de vencimento longuíssimo e então acho que tenho o mesmo Bilhete de Identidade desde os meus 15 anos (e graças a Deus mudei bastante). É um bocado difícil dizer que me pareço com o que era há 6 anos atrás, e isso é visível nas fotos. Só espero que não pensem que os documentos são roubados. Não sei porquê mas tenho sempre a expectativa de que o polícia me vá perguntar: «Onde é que está a verdadeira Camila Santos?». E depois já sabem, aparece a Imigração, mandam-te para uma sala fechada com aqueles pobres coitados da Nigéria ou de qualquer um daqueles países de que só ouvimos falar nos Jogos Olímpicos, depois somos deportados (e rezar para que nos mandem para o sítio certo. Pergunto-me porquê que acham que Portugal é uma província espanhola).
- As fotos dos passaportes fazem-nos sempre parecer um daqueles mexicanos chamados Consuelo ou Gusmarro que foram apanhados na fronteira mexicana com o Texas. Porquê que não podemos sorrir nessas fotos!
Acho melhor ir fazer as malas!
Obs: Apesar deste post a roçar a tentativa frustrada de humor, devo dizer que uma parte de mim (e uma parte bem grande) está de “luto”. É algo de que muitos de vocês irão rir, principalmente aqueles que não sabem o que é gostar muito de um bichinho de estimação, mas hoje encontrei o meu gato que estava foragido há uma semana, morto. Só queria prestar-lhe uma humilde “homenagem” neste espaço. Acho que ele é um campeão por ter-me aturado tanto tempo.
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Forget Me Not

Devo dizer que a memória humana é das coisas mais ambíguas que existem. A grande maioria das pessoas diz que a memória é tipo uma peneira e que o tempo cura tudo, mas então porquê que existe a famosa expressão: «os elefantes nunca esquecem» (depois de conhecerem a minha avó vocês vão ver que esta expressão é mesmo verdade, acho que ela lembra-se de todas as discussões que teve com o meu avô desde que ele se casaram lá em meados de 50 e qualquer coisa). Eu diria que a memória humana é algo volátil, especialmente para aquilo que lhes convém.
O post de hoje talvez roce o deprimente e dê uma boa letra a ser adaptada por alguma bandinha emo que responda pelo nome de Fresno, NX Zero ou Simple Plan (confesso que já chorei a ouvir Fresno e Simple Plan é inevitável… já passamos por aquilo que eles dizem nas letras deles… NX Zero… deixo em off), mas enfim, hoje acordei meio Holden Caulfield, achando tudo “deprimente p’ra burro” e com uma vontade ainda maior de apanhar criancinhas no campo de centeio (por favor, prometam-me que depois de lerem esta porcaria, vão ler o The Catcher in The Rye… é tipo das 10 coisas a fazer antes de morrer – ao lado de descobrir como é que dão trabalho à Hannah Montana! [francamente, há pessoas no desemprego com mais talento que essa teen idol com distúrbio de personalidade múltipla!]).
Acho que a sociedade nos impõe um código moral de como devemos de agir de forma politicamente correcta nos mais variados momentos. Como quando sabemos que um amigo vai mudar de cidade, estado, país, continente, planeta, galáxia, etc. Deve ser sempre bom dizer que vamos sentir saudades dele, mesmo que não estejamos minimamente preocupados ou que, no fundo até estejamos feliz por o ver pelas costas. Talvez não seja o caso, mas quando comecei a dizer que me ia embora para Inglaterra, tenho ouvido as mais diversificadas frases como «Oh, vais mesmo embora… isto já não vai ser a mesma coisa ti» «Não vás… o que vai ser de mim se te fores embora» … sim, até uma coisa bonita de se ouvir, deixa-nos com o peito inchado de orgulho porque pensamos que haverão pessoas que ficarão mesmo tristes quando formos embora, até seria assim se a pessoa que me diz que a sua vida já não será a mesma sem mim a aqui só me tenha visto duas ou três vezes. OK, eu não sou nenhuma J.K.Rowling ou uma Keira Knightly (o dia em que essas mulheres morrerem devia ser declarado feriado!), tenho a minha certa piada, digo umas coisas disparatas para fazer os outros rir, sei as falas do Edward Cullen de cabeça e costumo citá-las em momentos que agora não vem ao acaso («Não quero viver num mundo em que tu não existes»… it works!) mas acho que dizer que a vida vai mudar quando eu me for embora já é algo exagerado… não seria mais correcto usar um «Oh, lamento que te vás embora, ‘tava a gostar de te conhecer», sempre é mais convincente e perto da realidade… quem diz a frase acaba por fazer figura de parvo e por me deixar assustada (eu fico tipo «uou, se só de me ter visto duas vezes ele já diz isso, então se eu ficar mais tempo junto desta pessoa, é bem capaz de se tornar numa espécie de stalker ou algo do género» e eu não quero acabar na arca frigorífica de ninguém). Depois, a outra categoria de pessoas, os: o-que-será-de-mim-quando-te-fores-embora, esses já são amigos mais chegados e essa frase até nos deixa algo emocionados e reticentes em ir embora, especialmente quando vamos para uma terra onde não temos amigos, mas as coisas acabam por cair por terra qual castelo de cartas quando convidas essas pessoas para sair e elas cortam-se, ou então ficas a espera que te convidem, mas parece que o pombo correio se enganou na casa ou então quando a pessoa que te diz isso é tua amiga, vive na cidade que tu mas raramente a vês (meu, como é que vais ter saudades minhas se mal me vês, vai ser como se eu continuassem em Albufeira). Porquê que as pessoas não se limitam a dizer algo mais minimalista e coerente em vez de se meterem em frases complexas que não transparecem em nada aquilo que sentem?! É bonito de se dizer, mas no fundo torna-se ridículo quando comparado com as atitudes deles. Mas também quem sou para julgar estas coisas: quantos de nós seguem aquilo que dizem? Se nem os políticos e os padres o fazem, porque haveriam as pessoas comuns de o fazer?
Já parei de pensar que esses amigos que dizem passar por uma depressão pós-Camila quando eu me for embora vão fazer uma festa surpresa de despedida e tudo mais, porque pelo que dizem, era o que iriam fazer, mas as suas atitudes mais parecem revelar que a festa surpresa vai ser para comemorar a minha ida. Uma das coisas que a vida me ensinou foi a dar valor àqueles que se preocupam connosco de verdade, e tal vê-se pelos actos.
Agradeço a todos que se tem mostrado incansáveis nos apoios nesta nova reviravolta na minha vida e que tem feito de tudo para que eu me divirta nos últimos dias em Portugal. Aos outros, só me resta dizer que se lembrem tenuemente de mim, pelo menos quando virem o Robert Pattinson podem dizer: «Lembram-se daquela moça, a Camila, ela gastou uma fortuna no cinema para ver o Lua Nova duas vezes só para ver esse tipo». Yeah, that’s me.
Ps: Desculpem o tamanho colossal do posto, acho que vou trazer o minimalismo aos meus textos.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
New Born
O peregrino sobre o mar de névoa, de Caspar David Friedrich (a literatura do período romântico é enfadonha, mas a pintura é sem dúvida deslumbrante)De todas as criaturas lendárias, devo dizer que a Fénix é Sem dúvida das mais belas. A imagem de uma excelsa ave feita de fogo que vive por 500 anos até se queimar a si mesma para depois voltar a nascer das suas próprias cinzas para viver mais 500 anos poderia ser facilmente retratada numa tela de algum pintor romântico como Delacroix ou Henry Fuseli. Que símile mais irrepreensível para alguém que pretende um novo começo: «renascer das cinzas como uma Fénix», começar dos seus próprios erros para se reinventar. Estou prestes a fazer isso, a reinventar-me, e nada melhor do que a criação de um novo blog a fim de celebrar as transformações que brevemente irão ocorrer na minha vida.
Até há bem pouco tempo, antes de findar o curso académico, creio ter passado por uma penetrante letargia que me impedia de ver as coisas como elas realmente eram. Sabem como é, passamos 15 anos das nossas vidas enfiados entre quatro paredes numa sala de aula, com os narizes mergulhados nos livros para alargarmos a nossa mente e cultivarmo-nos culturalmente de modo a conseguirmos o famoso canudo para orgulharmos os nossos pais que tanto se esforçaram na nossa formação académica. Quando tudo isto acaba, a única coisa que queremos é encontrar um trabalho na área em que estudamos, tornarmo-nos alguém renomado nessa área, ter o nosso próprio apartamento e tirar o mês de Agosto de férias todos os anos. Que idiota ingénua! Quando tudo isto acabou e eu percebi que ninguém iria dizer «e viveu feliz para sempre» antes de o livro se fechar, a realidade atingiu-me com a violência de um soco no estômago e eu tornei-me mais um número da alarmante estatística de jovens licenciados desempregados. É profundamente desconcertante andar de lugar em lugar à procura de trabalho e ouvir respostas negativas, isto quando elas chegam, porque por vezes o silêncio é pior que um «não». Isto soma-se ao facto de residir numa região onde o trabalho é sazonal e transforma-se numa complicada equação à qual encontrei a melhor solução a meu ver, ainda que vá contra as regras de grandes matemáticos como Descartes e Newton (ah, metáforas são sempre tão úteis!).
Costumo pensar em nós, humildes habitantes do Algarve, como sendo a formiga trabalhadora naquela famigerada fábula de Esopo “A Cigarra e a Formiga”. Trabalhamos arduamente durante o Verão, horários de trabalho exaustivos que deixariam qualquer sindicalista em pé, tudo com o propósito de juntar todo o dinheiro possível para nos podermos manter no Inverno, altura em que mergulhamos numa hibernação laboral. É por isso que nos prestamos a aguentar o trânsito congestionado nos meses de Verão, que suportamos as filas monstruosas para os inúmeros serviços, que mal vemos as nossas casas, os nossos familiares e amigos, que esporadicamente vamos à praia e que lambemos os pés dos turistas ricaços na esperança de os fazer regressar no próximo ano. Todo este sacrifício advém do facto de sabermos que no Inverno todo a região irá ficar qual cidade fantasma típica de um western americano e as filas nos Centros de Emprego irão engrossar com pessoas desesperadas em busca de um emprego e que terão como único sustento as parcas economias que conseguiram amealhar durante os três meses de trabalho e os subsídios conferidos pelo Estado. É disto que eu estou a fugir!
A minha existência tornou-se terrivelmente mundana. Sem trabalho e sentindo-me impotente, em plenos 21 anos a viver as custas da minha mãe, tenho a impressão de que estou a desperdiçar anos gloriosos da minha preciosa vida acomodada a uma subsistência que nada mais me trará além de calosidades na região lombar. Estava na hora da Fénix abrir as suas assas e voar do ninho, procurar trabalho noutro lado, sair debaixo da asa da progenitora e fazer o seu voo sobre terras inóspitas e longínquas. Estava na hora de imigrar! Imigração, algo que está inerente na minha família desde que nos conhecemos como gente (o meu bisavô paterno era uma espécie de Indiana Jones e pululou pela Amazónia até descobrir em Moçambique a beleza que lhe vale o epíteto de «Jóia de África»). Eu podia ter ido para inúmeros lugares: Brasil, onde vive a minha família materna; Bélgica, onde vivem grandes amigos da família; Alemanha, onde tenho o tio que nem sabia que existia e que, supostamente (palavras do meu avô) tem uma filha que uma sósia minha; mas decidi ir para o país onde o pequeno-almoço mais parece a ceia: Reino Unido (e para que se conste, também tenho lá família)! Com a ideia partindo da cabeça da minha visionária mãe e a perspectiva afigurando-se promissora na minha vertiginosa imaginação, as palavras «liberdade» e «independência» não paravam de ressoar na minha cabeça.
Todavia, ao mesmo tempo o medo também parecia tomar conta de mim. A perspectiva do desconhecido, de viver longe dos meus entes queridos e de tudo aquilo a que já estou habituada parecia assustador, quase como caminhar por entre um nevoeiro sem saber ao certo por onde pisar. Quiçá eu não seja a pessoa mais temerária para este tipo de aventuras, nem a mais sociável para conhecer pessoas facilmente, mas dizem que a vida é feita para nos superarmos a nós mesmos, certo? Se assim for, só me resta colocar o meu elmo, agarrar na minha excalibur e partir para a batalha!
Estarei voando para o Reino Unido, mais precisamente para a pacata cidade de Spalding, no Lincolnshire, no dia 19 de Fevereiro, e dedicarei este blog a relatar as minhas vivências pelas terras que Tácito declarou como ”pretium vitoriae” – compensa a conquista, o melhor elogio vindo de um romano. O nome do blog é uma adaptação pessoal de um filme britânico que mescla comédia e drama, The Bad Mother’s Handbook, que conta com Robert Pattinson no elenco (a milhas de distância do papel que ele desempenha no Crepúsculo, acho que só serve para provar que ele é um actor bastante versátil, à parte do seu mau gosto em escolher namoradas!). Acho que o nome se enquadra um pouco a mim e àquilo que vou fazer dia 19 e aos planos que delineei para a minha vida doravante. We shall see…
Ps: Esta conversa sobre Fénix fez-me pensar num dilema: o que veio primeiro – a Fénix ou a cinza?