Rubrica trazendo algumas aventuras vividas no Reino Unido.
26 de Março. Sexta-feira. 14:30. Lá estava eu no Metrobus, autocarro de Crawley, a caminho do Aeroporto de Gatwick para apanhar o comboio Southern para Londres. Era um dia importante e eu estava com os nervos em franja. No prévio dia já havia repetido uma jornada parecida (fora até Clapham Junction para me encontrar com Monsieur Pascale, um contacto gentilmente cedido por um amigo francês da minha mãe e que possuía um finório restaurante estilo Ratatui em Clapham. O Monsiour Pascale precisava de uma empregada-de-mesa e oferecera-me a oportunidade de realizar um teste para ver o meu trabalho. Eu precisava mesmo desse trabalho e as coisas tinham que correr bem, ou caso contrário, bye bye british dream). Como o teste acabaria a horas tardias e havia a ténue esperança de eu ficar com o trabalho, não me podia dar ao luxo de ir todos os dias de Gatwick para Clapham Junction (uma viagem que ronda aproximadamente as 12 libras diárias) e precisava de pernoitar em Londres, motivo pelo qual me servi da minha mastodonte lista de contactos e contactei uma prima afastada que me deu guarida na sua residência em Canning Town (o que implicava que eu teria de ir primeiro à casa dela para me ambientar com o local, dado que teria que ir para lá depois do trabalho).
Bom, possivelmente vocês não estão familiarizados com a rota do Southern, mas a estação de Clapham Junction fica antes da estação de Victoria, o que implicava que eu iria dar uma volta astronómica para ir até Canning Town, no conhecido East End de Londres. Não havia problema! Eu tinha até às 18h, hora do teste. O que pesava mais era o facto de estar exausta pois no dia precedente, depois de me encontrar com o Monsieur Pascale fui passear a Londres e andei pela apinhada New Bond Street à procura de uma estátua em que o Churchill estava sentado ao lado do Franklin Roosevelt (o problema é que a minha caminhada foi em vão dado que a rua estava em obras e havia uma escavadora bem na frente da estátua!) e de ter andado por quase uma hora à chuva pelo Hyde Park para ver o Albert Memorial (estou a falar daquelas gotas grossas que nos atingem furiosamente e eu não tinha trazido a porcaria da Umbrela-ela-ela-ela). O cansaço era latente mas a vontade de conseguir aquele trabalho era mais forte.
Chegando à estação de Victoria, onde é praticamente difícil dar mais de cinco passos sem chocar em alguém, pus-me no metro, Distric Line até Westminster, onde troquei para a Jubilee Line até Canning Town. Uma viagem atribulada, como não podia deixar de ser na serpente subterrânea na grande babilónia britânica. Após a visita relâmpago à minha prima afastada, para conhecer os seus filhos, o caminho que teria que fazer e as amenidades nas redondezas, foi a vez de fazer a viagem inversa. O tempo começava a urgir e eu pretendia chegar relativamente cedo ao restaurante para trocar de roupa e causar uma boa impressão com a típica pontualidade britânica (apesar do restaurante ser francês). O único problema é que só existe um metro que vai para Clapham Junction, o London Overground, que além de passar só de meia em meia hora, fica demasiado longe para o apanhar, por isso as minhas opções eram reduzidas, provavelmente teria que retornar a Victoria e apanhar o Southern. Matutando no metro, àquela hora apinhado de entusiastas aficionados por futebol, resolvi trocar em alguma estação pela Victoria Line e descer em Vauxhall para me aventurar à superfície num autocarro de dois andares, um dos ex-líbris de Londres.
Após consultar os mapas na estação (a minha estadia em Londres deixou-me com um doutoramento em leitura de mapas), concentrei-me em todos os autocarros que anunciavam o destino em Clapham Junction, na esperança que esse parasse em frente da estação, pois só assim me poderia orientar, afinal, ainda tinha na memória o percurso feito no dia anterior. Apanhei o autocarro e fiquei no primeiro andar, observando aquelas ruas que não figuram nos cartões postais da cidade. Guiava-me pelas indicações que o CD do autocarro anunciava, indicando a próxima estação e o destino final (e já entendo porquê que os motoristas de autocarros são tão mal-humorados. Deve ser decadente ouvir uma voz repetitiva e monocórdica o dia inteiro. Há gente que já matou por menos!). Quando o autocarro se aproximou de Clapham Junction o pânico tomou-me de assalto! Eu não conhecia aquele lado da cidade, já estava cada vez mais perto das 18h e eu não sabia o que fazer. Decidi esperar para ver qual seria a próxima paragem, o problema é que o autocarro se afastava de Clapham e a voz monocórdica avisava que nos aproximávamos de outra zona, eu tinha que sair ou ia parar a uma parte de Londres que provavelmente nem aparece nos mapas que dão aos turistas. Assim o fiz… I was fucked up! O meu pânico atingira o auge e faltava meia-hora… num acto de cobardia liguei à minha mãe e desfiz-me em pranto… “Mãe, estou perdida em Londres!”, acho que nenhuma mãe quer ouvir um filho dizer isso. Depois da minha mãe me acalmar, o talento nato de todas as matronas, aquietei e decidi pedir ajuda à primeira pessoa que encontrei… felizmente a mulher ia para o mesmo lugar que eu e só me restava colar-me a ela. Esperamos pelo autocarro, que chegou 15 minutos depois, e eu decidi ligar ao Monsieur Pascale para avisá-lo que iria chegar atrasado… um erro crasso para alguém que quer causar uma boa impressão ao patrão. No autocarro, decidi pedir ajuda ao motorista, apesar de muitos deles não primarem pela simpatia (mas talvez este tivesse um pouco de humanidade e me tomasse por uma turista perdida) e o senhor, apreciador da música promíscua de Notorious BIG mostrou-se prestável e indicou-me a paragem em que devia de sair.
Ao chegar ao destino, sai juntamente com a senhora que, provavelmente, estava atrasada para apanhar algum comboio, pois começou a andar apressadamente ao mesmo tempo que falava comigo por cima do ombro: «Sou da Geórgia (o país do Estaline) e tu és de onde?... Queres ir mesmo para a estação de Clapham Junction?». Mas acho que deve ter sido uma pergunta retórica pois ela não ficou para ouvir a minha resposta, acabando por se perder na infindável multidão. De facto eu já estava na estação de Clapham Juntion, mas aquela não era a rua que eu vira no dia anterior… faltavam cinco minutos… estava na hora de uma atitude drástica: apanhar um táxi!
Para piorar ainda mais, o motorista era um daqueles velhinhos que não devem saber o que é uma reforma. Após ter gritado umas cinco vezes o destino que pretendia, ele dirigiu o seu dedo trémulo (aposto que ele tinha Parkinson) até ao GPS (que destacava naquele carro que presumivelmente deve ter assistido à II Guerra Mundial) para escrever o destino, não sem antes reclamar: «Eu não sei onde fica essa rua», «Fica aqui perto, você vai pela Grant Road…», «Grant Road?! Grant Road é já ao virar da esquina! Eu estou aqui há mais de quinze minutos!». Se eu não tivesse com tanta pressa teria matado com requintes de crueldade! Que otário se mete a reclamar em vez de fazer dinheiro?! Normalmente os taxistas não são tubarões sedentos de dinheiro que adoram enganar os passageiros, fazendo sempre o caminho mais longo? Eu não me importo que ele me leve o dinheiro, só quero chegar à merda da rua! «Chatfield Road!», gritei eu. «Podes soletrar?», pediu ele. «C-h-a-t… não é Chapfield, é Chatfield!!!», berrei, inclinando-me sobre o vidro que separava os bancos traseiros dos dianteiros (chique, né?) e onde encontrei um cão quase tão velho como o dono deitado do lado do taxista (boa, onde é que vim amarrar o meu burro). Após o homem ter colocado a direcção no GPS (o que deve ter demorado uns belos 5 minutos), ele decidiu arrancar o táxi (Oh happy day!).
A viagem foi rápida, apenas para poupar tempo e não justificou a elevada quantia (afinal eu estava do lado oposto à rua que conhecia e era só atravessar um túnel ao qual eu não prestara atenção devido aos nervos). Paguei ao taxista, que além do mais deve ser bipolar, pois no fim até me tratou com amabilidade e corri para o restaurante, entrando de rompante e sendo recebida por um esguio jovem francês. Apresentei-me, troquei de roupa e benzi-me. Ao início tudo parecia extremamente compensador para a aventura que acabara de viver: os colegas eram simpáticos, o restaurante acolhedor, e o Pierre andava a tentar flertar comigo (um rapaz algo bem parecido, mas eu não consigo levar os homens franceses a sério… personal reasons), mas a meio da noite as coisas começaram a descambar. A colega australiana que me andava a dar as dicas e que expressamente me disse «não tires pedidos aos clientes», andou a debitar na sua voz desprovida de emoção as regras do restaurante. O restaurante era cheio de frescuras, afinal é francês e os clientes estão cheios de dinheiro, a comida não me parecia muito apelativa (sinceramente, será que os franceses não passavam fome depois de comer um “foigrá” ou um bife “tartará”?). Final da noite, faminta pois ainda não comera nada e com a moral em baixo, o dono do restaurante chamou-me e deu-me a sua opinião… não era o tipo de pessoa que procurava… se ao menos a australiana me tivesse ajudado como deve ser! Tanto esforço em vão… e lá se ia o meu possible affair avec Pierre.
Com fome, a altas horas da noite e capaz de me tornar num daqueles psicopatas que aparecem nos seriados americanos, acabei por desabafar a minha angústia com a minha mãe. Não sabia o que fazer… podia voltar para Crawley nessa mesma noite, mas já prometera ficar em Canning Town, e não parecia de bom-tom recusar… um fim-de-semana em Londres não era mau de todo e também estava na hora de dar um desconto a quem me acolhera em Crawley. Eu teria curtido o fim-de-semana, se os meus dias em Inglaterra não estivessem contados… pelo menos na viagem de volta apanhei os transportes certos…
26 de Março. Sexta-feira. 14:30. Lá estava eu no Metrobus, autocarro de Crawley, a caminho do Aeroporto de Gatwick para apanhar o comboio Southern para Londres. Era um dia importante e eu estava com os nervos em franja. No prévio dia já havia repetido uma jornada parecida (fora até Clapham Junction para me encontrar com Monsieur Pascale, um contacto gentilmente cedido por um amigo francês da minha mãe e que possuía um finório restaurante estilo Ratatui em Clapham. O Monsiour Pascale precisava de uma empregada-de-mesa e oferecera-me a oportunidade de realizar um teste para ver o meu trabalho. Eu precisava mesmo desse trabalho e as coisas tinham que correr bem, ou caso contrário, bye bye british dream). Como o teste acabaria a horas tardias e havia a ténue esperança de eu ficar com o trabalho, não me podia dar ao luxo de ir todos os dias de Gatwick para Clapham Junction (uma viagem que ronda aproximadamente as 12 libras diárias) e precisava de pernoitar em Londres, motivo pelo qual me servi da minha mastodonte lista de contactos e contactei uma prima afastada que me deu guarida na sua residência em Canning Town (o que implicava que eu teria de ir primeiro à casa dela para me ambientar com o local, dado que teria que ir para lá depois do trabalho).
Bom, possivelmente vocês não estão familiarizados com a rota do Southern, mas a estação de Clapham Junction fica antes da estação de Victoria, o que implicava que eu iria dar uma volta astronómica para ir até Canning Town, no conhecido East End de Londres. Não havia problema! Eu tinha até às 18h, hora do teste. O que pesava mais era o facto de estar exausta pois no dia precedente, depois de me encontrar com o Monsieur Pascale fui passear a Londres e andei pela apinhada New Bond Street à procura de uma estátua em que o Churchill estava sentado ao lado do Franklin Roosevelt (o problema é que a minha caminhada foi em vão dado que a rua estava em obras e havia uma escavadora bem na frente da estátua!) e de ter andado por quase uma hora à chuva pelo Hyde Park para ver o Albert Memorial (estou a falar daquelas gotas grossas que nos atingem furiosamente e eu não tinha trazido a porcaria da Umbrela-ela-ela-ela). O cansaço era latente mas a vontade de conseguir aquele trabalho era mais forte.
Chegando à estação de Victoria, onde é praticamente difícil dar mais de cinco passos sem chocar em alguém, pus-me no metro, Distric Line até Westminster, onde troquei para a Jubilee Line até Canning Town. Uma viagem atribulada, como não podia deixar de ser na serpente subterrânea na grande babilónia britânica. Após a visita relâmpago à minha prima afastada, para conhecer os seus filhos, o caminho que teria que fazer e as amenidades nas redondezas, foi a vez de fazer a viagem inversa. O tempo começava a urgir e eu pretendia chegar relativamente cedo ao restaurante para trocar de roupa e causar uma boa impressão com a típica pontualidade britânica (apesar do restaurante ser francês). O único problema é que só existe um metro que vai para Clapham Junction, o London Overground, que além de passar só de meia em meia hora, fica demasiado longe para o apanhar, por isso as minhas opções eram reduzidas, provavelmente teria que retornar a Victoria e apanhar o Southern. Matutando no metro, àquela hora apinhado de entusiastas aficionados por futebol, resolvi trocar em alguma estação pela Victoria Line e descer em Vauxhall para me aventurar à superfície num autocarro de dois andares, um dos ex-líbris de Londres.
Após consultar os mapas na estação (a minha estadia em Londres deixou-me com um doutoramento em leitura de mapas), concentrei-me em todos os autocarros que anunciavam o destino em Clapham Junction, na esperança que esse parasse em frente da estação, pois só assim me poderia orientar, afinal, ainda tinha na memória o percurso feito no dia anterior. Apanhei o autocarro e fiquei no primeiro andar, observando aquelas ruas que não figuram nos cartões postais da cidade. Guiava-me pelas indicações que o CD do autocarro anunciava, indicando a próxima estação e o destino final (e já entendo porquê que os motoristas de autocarros são tão mal-humorados. Deve ser decadente ouvir uma voz repetitiva e monocórdica o dia inteiro. Há gente que já matou por menos!). Quando o autocarro se aproximou de Clapham Junction o pânico tomou-me de assalto! Eu não conhecia aquele lado da cidade, já estava cada vez mais perto das 18h e eu não sabia o que fazer. Decidi esperar para ver qual seria a próxima paragem, o problema é que o autocarro se afastava de Clapham e a voz monocórdica avisava que nos aproximávamos de outra zona, eu tinha que sair ou ia parar a uma parte de Londres que provavelmente nem aparece nos mapas que dão aos turistas. Assim o fiz… I was fucked up! O meu pânico atingira o auge e faltava meia-hora… num acto de cobardia liguei à minha mãe e desfiz-me em pranto… “Mãe, estou perdida em Londres!”, acho que nenhuma mãe quer ouvir um filho dizer isso. Depois da minha mãe me acalmar, o talento nato de todas as matronas, aquietei e decidi pedir ajuda à primeira pessoa que encontrei… felizmente a mulher ia para o mesmo lugar que eu e só me restava colar-me a ela. Esperamos pelo autocarro, que chegou 15 minutos depois, e eu decidi ligar ao Monsieur Pascale para avisá-lo que iria chegar atrasado… um erro crasso para alguém que quer causar uma boa impressão ao patrão. No autocarro, decidi pedir ajuda ao motorista, apesar de muitos deles não primarem pela simpatia (mas talvez este tivesse um pouco de humanidade e me tomasse por uma turista perdida) e o senhor, apreciador da música promíscua de Notorious BIG mostrou-se prestável e indicou-me a paragem em que devia de sair.
Ao chegar ao destino, sai juntamente com a senhora que, provavelmente, estava atrasada para apanhar algum comboio, pois começou a andar apressadamente ao mesmo tempo que falava comigo por cima do ombro: «Sou da Geórgia (o país do Estaline) e tu és de onde?... Queres ir mesmo para a estação de Clapham Junction?». Mas acho que deve ter sido uma pergunta retórica pois ela não ficou para ouvir a minha resposta, acabando por se perder na infindável multidão. De facto eu já estava na estação de Clapham Juntion, mas aquela não era a rua que eu vira no dia anterior… faltavam cinco minutos… estava na hora de uma atitude drástica: apanhar um táxi!
Para piorar ainda mais, o motorista era um daqueles velhinhos que não devem saber o que é uma reforma. Após ter gritado umas cinco vezes o destino que pretendia, ele dirigiu o seu dedo trémulo (aposto que ele tinha Parkinson) até ao GPS (que destacava naquele carro que presumivelmente deve ter assistido à II Guerra Mundial) para escrever o destino, não sem antes reclamar: «Eu não sei onde fica essa rua», «Fica aqui perto, você vai pela Grant Road…», «Grant Road?! Grant Road é já ao virar da esquina! Eu estou aqui há mais de quinze minutos!». Se eu não tivesse com tanta pressa teria matado com requintes de crueldade! Que otário se mete a reclamar em vez de fazer dinheiro?! Normalmente os taxistas não são tubarões sedentos de dinheiro que adoram enganar os passageiros, fazendo sempre o caminho mais longo? Eu não me importo que ele me leve o dinheiro, só quero chegar à merda da rua! «Chatfield Road!», gritei eu. «Podes soletrar?», pediu ele. «C-h-a-t… não é Chapfield, é Chatfield!!!», berrei, inclinando-me sobre o vidro que separava os bancos traseiros dos dianteiros (chique, né?) e onde encontrei um cão quase tão velho como o dono deitado do lado do taxista (boa, onde é que vim amarrar o meu burro). Após o homem ter colocado a direcção no GPS (o que deve ter demorado uns belos 5 minutos), ele decidiu arrancar o táxi (Oh happy day!).
A viagem foi rápida, apenas para poupar tempo e não justificou a elevada quantia (afinal eu estava do lado oposto à rua que conhecia e era só atravessar um túnel ao qual eu não prestara atenção devido aos nervos). Paguei ao taxista, que além do mais deve ser bipolar, pois no fim até me tratou com amabilidade e corri para o restaurante, entrando de rompante e sendo recebida por um esguio jovem francês. Apresentei-me, troquei de roupa e benzi-me. Ao início tudo parecia extremamente compensador para a aventura que acabara de viver: os colegas eram simpáticos, o restaurante acolhedor, e o Pierre andava a tentar flertar comigo (um rapaz algo bem parecido, mas eu não consigo levar os homens franceses a sério… personal reasons), mas a meio da noite as coisas começaram a descambar. A colega australiana que me andava a dar as dicas e que expressamente me disse «não tires pedidos aos clientes», andou a debitar na sua voz desprovida de emoção as regras do restaurante. O restaurante era cheio de frescuras, afinal é francês e os clientes estão cheios de dinheiro, a comida não me parecia muito apelativa (sinceramente, será que os franceses não passavam fome depois de comer um “foigrá” ou um bife “tartará”?). Final da noite, faminta pois ainda não comera nada e com a moral em baixo, o dono do restaurante chamou-me e deu-me a sua opinião… não era o tipo de pessoa que procurava… se ao menos a australiana me tivesse ajudado como deve ser! Tanto esforço em vão… e lá se ia o meu possible affair avec Pierre.
Com fome, a altas horas da noite e capaz de me tornar num daqueles psicopatas que aparecem nos seriados americanos, acabei por desabafar a minha angústia com a minha mãe. Não sabia o que fazer… podia voltar para Crawley nessa mesma noite, mas já prometera ficar em Canning Town, e não parecia de bom-tom recusar… um fim-de-semana em Londres não era mau de todo e também estava na hora de dar um desconto a quem me acolhera em Crawley. Eu teria curtido o fim-de-semana, se os meus dias em Inglaterra não estivessem contados… pelo menos na viagem de volta apanhei os transportes certos…
Foto da estátua de Roosevelt e Churchill, tirada por alguém que teve mais sorte que eu.
