terça-feira, 30 de março de 2010

Things are falling apart

O que fazer quando as coisas nao correm como planeamos e parece que alguem foi ao Professor Bambu para fazer um servicinho de macumba para que tudo nos corra mal? Em apenas uma semana o meu Britsh Dream transformou-se num Nightmare e dia 5 de Abril estarei retornando a Portugal com a moral quase tao embaixo como as tropas de Napoleao quando nao conseguiram invadir a Russia. Dispenso perguntas sobre o que se passou pois nao pretendo dizer a ninguem, what happens in England, stays in England. Claro que nem tudo esta perdido... nem mesmo quando a Pandora abriu a famosa caixa as coisas ficaram perdidas, pois juntamente com todos os males do mundo, que sairam de dentro da Caixa de Pandora, tambem saiu uma luzinha muito pequena chamada "esperanca" e eu pretendo voltar a Inglaterra em finais do ano, desta vez com as coisas melhor orientadas. So' me resta dizer que adorei este pais, e quando digo este pais digo o pais todo, dado que andei por Lincolshire, Sussex, e mais um ou outro condado que agora nao me recordo. Conheci muito boa gente e tambem pessoas que se o Hitler tivesse mandado para a camara de gas eu nao ia sentir pena nenhuma. Honestamente devo dizer que nao gosto de Londres... e' uma cidade fixe (= legal) para se passear e bastante enriquecedora a nivel cultural, mas se vivesse nela teria que andar constantemente sobre o efeito de Prozac pois o stress, as pessoas sempre a empurrarem-se umas as outras, os seus olhares vazios dentro do metro, simplesmente decadente... prefiro Crawley, onde presentemente estou... Volto para Portugal, mas regressarei em breve, e preparem-se, porque nesse data, as coisas vao ser diferentes para o Reino Unido.

sábado, 20 de março de 2010

Let's talk about politics, baby

O que vou escrever em seguida provavelmente ira desafiar algo em que muitos de vos acreditam, em especial no que concerne a regimes politicos, mas diga-se de passagem que eu nunca me considerei totalmente de esquerda, conquanto frequente enventos organizados pelo Partido Comunista Portugues, prefiro pensar em mim como uma "free thinker" - venero Marx mas discorod com a sua ditadura do proletariado, preferindo a vertente mais democratica de Bernstein e da social-democracia. Anyways, hoje vou falar de regimes politicos e dizer que o meu apreco pela monarquia tem aumentado (talvez porque presentemente esteja a viver numa). Passo a explanar a minha ideia de seguida.

Existem varios tipos de regimes: ditaduras militares, regimes presidencialistas, monarquias absolutas, etc., no entanto, so' falarei de quatro: presidencialismo, semipresidencialismo, parlamentarismo e monarquia constitucional.

No regime presidencialista, exemplo: Brasil ou EUA, o presidente e' o chefe de governo e de estado, isto e', o poder legislativo nao esta' desligado do executivo. Uma coisa ja' reparei nestes dois paises e' que o presidente parece passar mais tempo fora do que dentro do seu pais. Veja-se o caso do Lula, que parece estar envolvido em quato todos os encontros internacionais e quase tempo nenhum passa no Brasil. A sensacao que tiro desses dois paises e' que, alem de ambos terem proporcoes continentais e serem federacoes, o que os torna mais dificeis de governar, o seu dirigente parece estar mais envolvido em cimeiras disto, congressos daquilo, o que me leva a pensar: "mas afinal quem e' que governa este pais quando ele esta' fora?"

Segue-se o regime semipresidencialista, tomando como exemplo a Franca. Neste regime ha uma dualidade executiva entre o presidente e o primeiro-ministro, ficando o primeiro encarregue da politica externa e o segundo da interna. E' algo acertivo e acabamos por ter a ideia de que o presidente faz mesmo algo. Ligando a televisao vemos o Sarkozy a falar da politica externa francesa, e tambem da interna, sentimos que ele parece fazer algo. So' lamento que o primeiro-ministro nao seja tao mencionado, quer dizer, quantas vezes ouvimos falar do PM frances? Honestamente eu nem sei quem ele e'.

Depois ha o parlamentarismo, tomando o caso portugues. Neste regime, o poder executivo depende do apoio directo do parlamento, nao havendo separacao nitida entre o executivo e o legislativo. Lembro-me durante um almoco ao som das noticias sobre o primeiro-ministro portugues, o Jean perguntar: "so falam no PM, afinal para que serve o presidente?". Concordo. Ultimamente ouvimos falar tanto do Jose Socrates que perguntamos: afinal o que faz sua excelencia Anibal Cavaco Silva? Bom, num regime parlamentar, o presidente pode ficar encarregue das forcas armadas (alguem viu o Cavaco fazer isso?), das questoes diplomaticas (mas parece que o Socrates e' que faz tudo, ainda que mal e porcamente) ou pode disolver o parlamento, como o Jorge Sampaio muito bem fez com Santana Lopes. Nao, agora a serio. O que e' que o Cavaco Silva faz da vida a nao ser andar por ai a distribuir mencoes honrosas e a visitar comunidades portuguesas na Espanha, em Andorra ou sei la' mais aonde? Tenho uma novidade para ti, Cavaco, qualquer menina dos escuteiros pode distrubir medalhas. Justifica-se pagar um salario exorbitante para um tipo andar a fazer so isso e sem fazer nada contra um paspalho que, com as suas medidas politicas, so torna a situacao do pais ainda mais caotica? Senhor Cavaco Silva, arranje um trabalho a serio (e ja' agora, ponha botox nos labios e pare de falar como se estivesse aflito para ir a casa-de-banho). Com um regime assim, Portugal parece voltar aos tempos salazaristas em que presidente nao passava de um mero corta-fitas manipulado pelo PM. Nao seria mais proveitoso ter uma monarquia?

Coloquemos de lado a ideia do Rei Sol, do Antigo Regime, falo de uma monarquia constitucional como o caso ingles. Pensem bem, o presidente tem um salario vitalicio, afinal, ja' ocupou o cargo mais alto do pais... esse presidente, mesmo fora de cargo, presida de secretaria, motorista, guarda-costa e por ai a fora, fora o salario. Isto e', alem do Cavaco silva, tambem pagamos estes luxos a Ramalho Eanes, Mario Soares e Jorge Sampaio (sim, provavelmente o Mario Soares vai bronzear as suas bochechas de buldogue para Portimao com o vosso dinheiro)! Se, neste cenario, o presidente nao faz nada e ele muda sempre que o seu mandato termina, nao seria mais proveitoso para os cofres do estado ter um rei... o dirigente muda sempre que o monarca morre, e' certo que a monarquia e' heriditaria e nao electiva, mas de que adianta eleger um presidente se ele pouco ou nada faz? O rei mantem-se no poder ate 'a sua morte e os seus "criados" mantem-se com ele. Tendo como exemplo a Inglaterra, vemos a Rainha envolvida em iniciativas do povo, vemo-la visitar empresas empreedoras, vemos o principe William ligado 'as obras de apoio social e vemos o PM envolvido na politica externa e na interna. De facto, vemos algo a ser feito! O principe William, por exemplo, fez servico militar. Sera que o filho de algum presidente o fez? Nao creio que algum deles estaria interessado em mandar o seu filho para a guerra. Sei, contudo, que muitos elementos das familias reais europeias combateram nas Grandes Guerras Mundiais, onde acabaram por perder a vida (esse e' o verdadeiro patriotismo, o governante deve dar o exemplo e morrer pela sua patria, caso necessario... nao limitar-se a mandar os outros para a morte, como se fossem meros peoes num tabuleiro de xadrez). Ok, a familia real britanica tem os seus escandalos, como qualquer familia normal (a rainha Victoria, por exemplo, declarou a homossexualidade como um crime, o que condenou o escritor Oscar Wilde a dois anos de trabalho forcado. Por ironia do destino, o seu neto Victor Edward envolveu-se num escandalo gay num bordel masculino). Com isto tudo, penso, se o chefe de estao pouco ou nada faz, talvez seja melhor optar por um nao tao dispendioso. So' lamento que o herdeiro ao trono portugues seja D. Duarte Pio, descendente de D. Miguel, O Absolutista (mas claro que voces sabem isso, se estivam atentos nas aulas de historia) e nao um descendente da casa dos Saxe-Coburg & Gotha, que terminou, em Portugal, com D. Manuel II (que nao teve descendencia). Para quem nao sabe, os Saxe-Coburg & Gotha foram uma das mais influentes casas reais no seculo XIX. Dela sairam a mae da rainha Victoria; Albert, principe consorte, marido de Victoria; Leopold I, da Belgica e a sua descendencia ainda no poder; e D. Fernando, casado com D. Maria II e responsavel pela construccao do Palacio da Pena). A minha visao sobre os ultimos anos da monarquia portuguesa e' que, D. Carlos era algo permissivo e nao fazia grande coisa, talvez merecesse o regicidio, mas creio que o julgam mal pelo mapa cor-de-rosa. Portugal tinha, obrigatoriamente, que ceder ao Ultimato Ingles. Como poderia Portugal, um pequeno imperio que acabara de perder o Brasil, enfrentar o Imperio Britanico? Acho que D. Carlos ate poupou inumeras vidas, pois caso houvesse uma guerra, muitas seriam ceifadas.

Desculpem a seca, mas pegando em politica e historia e poderia passar aqui o dia todo!

sexta-feira, 19 de março de 2010

Congratulations


Hoje faz um mes que cheguei as Inglaterra! Digamos que a primeira parte ja esta concluida... a do novo nascimento. Durante este mes foi como se tivesse nascido de novo, senti-me como se estivesse descobrindo-me novamente... deveras revigorante, in deed. Excedi-me, surpreendi-me a mim mesma e derrotei velhos fantasmas... Estou a viver a verdadeira aventura de enfrentar grandes metropoles sozinha, de resolver questoes legais sem gaguejar, de aprender a lutar sozinha... e de apanhar autocarros sem me preocupar com o destino... Ja' me poderei considerar uma Supertramp... acima de tudo, este mes mostrou-me que eu consigo ser a minha melhor companhia... a solidao da' um ar de falso romantismo 'a vida... Com isto tudo... congratulations to my self... gostava de poder comemorar esta festividade embebedando-me e assistindo pornografia, mas terei de me contentar com uma timida celebracao ao sabor das tartes de maca que comprei por 84 pences.


Ps: Alguma vez vos aconteceu de as coisas na vossa vida estarem a correr bem ate que voces decidem partilhar com o mundo as vossas conquistas e, de repente, parece que a Lei de Murphy entra em accao e tudo comeca a desmoronar? A serio, as vezes dou razao 'a Greta Garbo... ha mesmo coisas na nossa vida que nao podemos partilhar com ninguem... ha' gente que tem olho obeso. For pity sake, ponham uma banda gastrica nos olhos ou comprem o Reduce Fat Fast versao gotas... quanto a mim... I will survive... I'm stronger than I thought.


Ps1: Tenho mesmo que parar de comer no McDonald's senao vou acabar como aquele tipo que fez o Super Size Me... porque que estes tipos perguntam sempre se queremos o tamanho medio ou grande... nao existira pequeno na lista deles?

segunda-feira, 15 de março de 2010

Anarco Moment

"O verdadeiro fundador da sociedade civil foi o primeiro que, tendo cercado um terreno, lembrou-se de dizer "isto e' meu" e encontrou pessoas sufecientemente simples para acredita-lo. Quantos crimes, guerras, assassinios, miserias e horrores nao pouparia ao genero humano aquele que, arrancando as estacas ou enchendo o fosso, tivesse gritado a seus semelhantes: "defendei-vos de ouvir esse impostor, estareis perdidos se esquecerdes que os frutos sao de todos e que a terra nao pertence a ninguem"" - Jean-Jacques Rosseau

E' disto que me tenho alimentado para mitigar as saudades daquilo que deixei para tras nas terras de Viriato. No fundo eu continuo uma romantica...

domingo, 14 de março de 2010

Ensaio sobre o racismo

Uma das primeiras coisas que ouvi quando anunciei que vinha para a Inglaterra foi: "tem cuidado, os ingleses sao muito racistas". Confesso que isso me deixou algo aterrada de inicio, formando na minha cabeca uma especie de guiao 'a la' Hitchcock, visionando-me a ser perseguida por grupos extremistas e tendo que forcar um sotaque ingles na esperanca de que acreditassem que eu era filha bastarda de algum britanico que havia dormido do lado errado da cama com alguma indiana (devido 'a minha cor de pele achocolatada acho que devem pensar que eu pertenco a alguma das castas superiores indianas, I guess), mas isso nunca chegou a acontecer. Devo dizer que, ate agora, nao tenho tido razoes de queixa dos caros bretoes, antes pelo contrario, diga-se de passagem que tenho recebido mais sorrisos na rua aqui do que alguma vez terei recebido em Albufeira (em Albufeira e' o contrario, mesmo sendo portugues, acreditem que as possibilidades de te tratarem bem sao reduzidas, e' preferivel deixar essa exclusividade para os turistas ingleses que tem dinheiro e tudo mais... pufff), o que nos faz pensar em o quao errado por vezes julgamos uma nacao.

E' certo e sabido que os ingleses, como a maioria dos povos europeus, tem um forte passado colonialista. Sempre ouvi dizer que de todos os colonizadores, os portugueses eram os mais condescendentes... na verdade, ate foram os portugueses que "inventaram" os mulatos ao misturarem-se com os nativos das terras que colonizaram, verdade ou mentira nao sei, mas o que e' certo e' que existem portugueses e portugueses... existem uns que veem os imigrantes com bons olhos e existem outros que nao os podem ver nem pintados de ouro... o mesmo com os ingleses, com os espanhois, com os frances e ate mesmo com os alemaes, considerados por muitos como os mais racistas da Europa devido 'a Segunda Guerra Mundial... se eles fossem tao racistas nao teriam das melhores leis de acolhimento aos imigrantes da Europa, creio ate' que aprenderam com as licoes do passado, como assim deve ser. Ja' estive na Alemanha e ao longo da minha vida conheci muitos alemaes, e digo que, apesar do seu humor sem graca, sao pessoas bastante afaveis e muito longe de serem semelhantes aos carniceiros como Goering. Por isso e' que digo e repito, se ha' que se julgar (porque o ser humano e' perito nisso), que se julgue pelo caracter e nao pela nacionalidade. Nao acredito que exista uma lista com o top 10 das nacoes mais racistas porque se existir, nao ira traduzir o pensamento de todo um povo... se existir, deve ser uma lista com o top 10 das pessoas mais racistas, na qual o Hitler estara em primeiro lugar e o Bush deve constar tambem, bem como umas quantas pessoas que conheco (mas enfim!). Por isso, rectifico a frase: "tem cuidado, existem ingleses racistas, mas tambem existem muitos ingleses que nao tem nada contra os imigrantes", e isso eu apercebi-me quando assistia a um debate politico na BBC entre uma trabalhista, um conservador e um liberal-democrata, no qual o liberal-democrata disse: "nao se esquecam de que quando falamos de imigrantes, estamos a esquecer uma palavra muito importante que e' "ser-humano"... esses "imigrantes" sao humanos e devem ser tratados com respeito, ate porque veem contribuir para a economia e desenvolvimento do nosso pais. Se formos recuar atras na historia, veremos que muitos de nos somos descendentes de imigrantes, eu proprio sou... os meus avos eram irlandeses". Nada mais acertivo, a historia e' feita de migracoes de povos para diferentes terras. O que seriam os primeiros romanos na Peninsula Iberica se nao nada mais que imigrantes? Talvez um dia as pessoas abram os olhos para perceber que, no fundo, estamos todos no mesmo barco.

Obs: Ainda na linha do racismo e esteriotipos em relacao a nacionalidades, que acrescentar algo sobre os americanos. As pessoas estao sempre a dizer que eles sao os neo-colonialistas e que isso se viu implicito na reeleicao do Bush. Lembro-me de quando trabalhava no Zoomarine, ter conversado com uma familia do Minnessota sobre esse assunto e lembro-me da rapariga, uma jovem adolescente, ter ofendido o Bush numa serie de neo-logismos que tenho que acrescentar 'a minha coleccao pessoal. Lembrem-se que as eleicoes nos EUA dao mais importancia a determinados estados, o que me irritada pois os mais importantes sao quase todos no sul. Lembrem-se tambem que, e esta e' a minha visao pessoal, a Historia enquanto ciencia e' escrita numa visao que nao contempla todos os integrantes de uma sociedade, e em especial aqueles que sao mais desfavorecidos. Milhoes e milhoes de americanos nao tiveram voto na materia porque estao pobres e desmotivados, e como diz Tony Benn: "uma pessoa pobre fica desmotivada, e as pessoas desmotivadas nao votam. Por isso e' que existe essa vontade de que as pessoas nao sejam educadas e nao sejam confiantes. Uma nacao letrada, saudavel e confiante e' mais dificil de governar". O mesmo e' aplicavel aos franceses, ingleses, alemaes, etc., que nao tiveram direito a nenhuma fatia da tarte chamada colonialismo, porque esse direito ficou reservado aos ricos.

Ps: Estou com saudades do jornal sensacionalista da Record e tenho acompanhado as noticias de Portugal atraves da RTP Internacional. E' um crime ainda nao terem dado um tiro no Socrates. Por muito menos se matou o Rei D. Carlos e enquanto isso esse paspalho anda a gozar com a cara dos portugueses e a comer caril de amendoim em Mocambique enquanto eu tenho que me contentar com a carne de vaca inglesa (que mais parece pastilha elastica, diga-se de passagem).

Ps1: Ontem, depois de sair do trabalho e de ter relaxado um pouco no parque da cidade ao sabor de um cappucino, dei um saltinho ate ao County Mall (Shopping) de Crawley onde encontrei um daqueles demonstradores de produtos dos quais tentamos fugir a todo o custo. Desta vez nao tive escolha e tive que ceder as minhas maos 'a demonstraccao de um creme para as maos. No fim valeu a pena, fiz uma amizade com um gay (voces sabem que eu nao lhes consigo resistir) e ainda ganhei um abraco sincero, e Deus sabe o quanto eu tenho sentido a falta de um abraco desde que aqui cheguei. God Save The Gays!

quinta-feira, 11 de março de 2010

Retrato Falado

Estive ausente da blogsfera durante a ultima semana para tratar de questoes legais em solo britanico. Felizmente as coisas tem andado de vento em popa e ja tenho grande parte das coisas arranjadas, assim como comecei hoje o meu primeiro dia de trabalho. O proximo passo e procurar uma casa para dividir com alguem e ja tenho algumas em vista... vai ser estranho dividir a casa com alguem que nao conheco e que provavelmente nem falara a mesma lingua que eu, contudo, faz tudo parte do crescimento que ultimamente tenho vivenciado. A verdade e' que estas tres semanas em Inglaterra fizeram-me descobrir uma Camila que eu nem sabia que existia. Ainda me lembro como costumava ficar nervosa perante novas situacoes, expirenciando ate uma certa procrastinacao (este palavrao existe mesmo, significa o adiamento de uma accao), mas parece que essas coisas ficaram em Portugal. Sinto-me bastante confortavel agora a falar em publico e aprendi a resolver trivialidades legais sem a ajuda de ninguem.

O meu novo trabalho, muitos devem dizer, nao e' nada de especial, e' algo que qualquer um consegue fazer, mas eu nao acho que seja assim, pelo menos merece ser tratado com todo o merito que um trabalho legal tem. Estou a trabalhar na Subway, fazendo sanduiches, e por increvel que pareca estou a gostar, principalmente pela equipa de trabalho acolhedora, coesa e multietnica, o que ja me permitiu estabelecer as bases para uma possivel amizade. Durante os tempos que estive desempregada tive oportunidade de reflectir sobre muitas coisas, entre as quais a minha experiencia laboral. Comecei a trabalhar aos 16 anos, quando a minha mae decidiu mostrar-me o quanto custa ganhar o nosso proprio dinheiro e deste entao ja passei pelas mais diferentes areas: ja fui empregada de mesa, recepcionista, secretaria, empregada de limpeza, baby-sitter. Pfff, devem dizer alguns, mas eu sinto-me bastante orgulhosa e partilho da opiniao da minha mae, se algum dia precisar, ja sei fazer um pouco de tudo, e nao terei a arrogancia de dizer: "eu sou licenciada, nao andei a queimar as pestanas a estudar para fazer isso", sim, e estao a espera que eu va comer o meu diploma quando estiver com fome? Entao e aquelas pessoas que imigraram dos antigos paises da URSS e que agora varrem ruas em Portugal... muitos sao medicos, engenheiros, gente qualificada. Sabem, muitos dos meus antigos "preconceitos" tem andado a cair por terra ultimamente. Como diz a minha tia Amelia: "podes ser alguem na vida sendo medico ou sendo um canalizador" e eu confesso que nao pretendo ser daquelas pessoas que vivem inteiramente para a carreira... esta viagem a Inglaterra tem-me mostrado que ha outras coisas mais importantes na vida, coisas como estar sentado num bar com os amigos e poder contar a nossa experiencia de vida com historias recheadas de viagens por diferentes paises, conhecimentos de novas pessoas, diferentes experiencias de trabalho. Podem achar que nao sou ambiciosa, mas e' o que penso. Honestamente acho que o curso academico ajudou-me a abrir os meus horizontes e nao pretendo ficar por aqui, pretendo o mestrado e nunca iriei desistir do meu sonho de ser professora de Historia (talvez ate me torne numa new-hippie/anarco professora). Estar na Subway tambem me fez pensar nas frases malaciosas que as vezes dizemos ou ouvimos: "estuda para seres alguem, nao queres acabar no McDonalds, pois nao?", como se as pessoas que estivessem no McDonalds ou em qualquer outro trabalho "indigno" fossem tacanhas... quantos universitarios nao andaram a fazer esse tipo de trabalhos? Eu continuo a ler os meus livros, a ouvir musica erudita de vez em quando (Chopin, Debussy, Beethoven e Schubert, I Love you guys) e continuo a manter-me actualizada (de momento ando a estudar as casas reais europeias pelo puro prazer diletante) e trabalho num restaurante Fast Food e adoro.

God Save The Queen

terça-feira, 2 de março de 2010

Para todos os camaradas

Estive no cemiterio de Highgate somente para visitar a campa dele. Confesso que costumava sentir medo de cemiterios, e este em especial tinha um aspecto algo assustador pelas campas tao antigas, mas foi a primeira vez que me senti bem num.

Pelo grande trabalho que ele fez e em como ele mudou a maneira de muitos ver o mundo, o Karl Marx merecia um jardim em volta da sua campa.

Dedico esta foto a todos os camaradas que partilham os mesmos pensamentos que eu na procura de um mundo mais justo e livre dos tentaculos do polvo capitalista:


- Ana Rodrigues e a sua familia (eu sei que o teu pai gostaria de ter estado em Highgate)

- Daniel Moraes (pelos textos maravilhosos condenando aqueles que eu gosto de chamar "Os Corleone", os politicos de Brasilia, se bem que perto deles, os mafiosos criados pelo Mario Puzo ate parecem honestos).



- Professor de Historia Luis Laco (que me ensinou a ler os trabalhos do Marx).


Quando estava a caminho de Highgate, encontrei isto no chao e decidi tirar uma foto pois gostei da mensagem. Detesto todos aqueles partidos que usam o termo "socialista" ou "comunista" ou "trabalhista" na sua denominacao mas que no fundo sao mais de direita que os proprios partidos de direita, e' o caso do chamado New Labour em Inglaterra, encabecado por Tony Blair. Em vez de mandar tropas para o Iraque para combater numa guerra inutil, porque que ele nao usou o dinheiro do povo para combater a pobreza "escondida" que se ve dentro de Londres e por todo o Reino Unido. Como disse Tony Benn "se conseguimos dinheiro para matar pessoas, tambem conseguimos dinheiro para ajudar pessoas". Esse sim e' um Old Labour, um verdadeiro politico do Partido Trabalhista (para o conhecerem melhor, vejam o documentario do Michael Moore "Sicko", o Mr. Benn faz um discurso brilhante).