sábado, 13 de fevereiro de 2010

Forget Me Not


Este post foi escrito ao som de: Don’t You Forget About Me, dos Simple Minds

Devo dizer que a memória humana é das coisas mais ambíguas que existem. A grande maioria das pessoas diz que a memória é tipo uma peneira e que o tempo cura tudo, mas então porquê que existe a famosa expressão: «os elefantes nunca esquecem» (depois de conhecerem a minha avó vocês vão ver que esta expressão é mesmo verdade, acho que ela lembra-se de todas as discussões que teve com o meu avô desde que ele se casaram lá em meados de 50 e qualquer coisa). Eu diria que a memória humana é algo volátil, especialmente para aquilo que lhes convém.

O post de hoje talvez roce o deprimente e dê uma boa letra a ser adaptada por alguma bandinha emo que responda pelo nome de Fresno, NX Zero ou Simple Plan (confesso que já chorei a ouvir Fresno e Simple Plan é inevitável… já passamos por aquilo que eles dizem nas letras deles… NX Zero… deixo em off), mas enfim, hoje acordei meio Holden Caulfield, achando tudo “deprimente p’ra burro” e com uma vontade ainda maior de apanhar criancinhas no campo de centeio (por favor, prometam-me que depois de lerem esta porcaria, vão ler o The Catcher in The Rye… é tipo das 10 coisas a fazer antes de morrer – ao lado de descobrir como é que dão trabalho à Hannah Montana! [francamente, há pessoas no desemprego com mais talento que essa teen idol com distúrbio de personalidade múltipla!]).

Acho que a sociedade nos impõe um código moral de como devemos de agir de forma politicamente correcta nos mais variados momentos. Como quando sabemos que um amigo vai mudar de cidade, estado, país, continente, planeta, galáxia, etc. Deve ser sempre bom dizer que vamos sentir saudades dele, mesmo que não estejamos minimamente preocupados ou que, no fundo até estejamos feliz por o ver pelas costas. Talvez não seja o caso, mas quando comecei a dizer que me ia embora para Inglaterra, tenho ouvido as mais diversificadas frases como «Oh, vais mesmo embora… isto já não vai ser a mesma coisa ti» «Não vás… o que vai ser de mim se te fores embora» … sim, até uma coisa bonita de se ouvir, deixa-nos com o peito inchado de orgulho porque pensamos que haverão pessoas que ficarão mesmo tristes quando formos embora, até seria assim se a pessoa que me diz que a sua vida já não será a mesma sem mim a aqui só me tenha visto duas ou três vezes. OK, eu não sou nenhuma J.K.Rowling ou uma Keira Knightly (o dia em que essas mulheres morrerem devia ser declarado feriado!), tenho a minha certa piada, digo umas coisas disparatas para fazer os outros rir, sei as falas do Edward Cullen de cabeça e costumo citá-las em momentos que agora não vem ao acaso («Não quero viver num mundo em que tu não existes»… it works!) mas acho que dizer que a vida vai mudar quando eu me for embora já é algo exagerado… não seria mais correcto usar um «Oh, lamento que te vás embora, ‘tava a gostar de te conhecer», sempre é mais convincente e perto da realidade… quem diz a frase acaba por fazer figura de parvo e por me deixar assustada (eu fico tipo «uou, se só de me ter visto duas vezes ele já diz isso, então se eu ficar mais tempo junto desta pessoa, é bem capaz de se tornar numa espécie de stalker ou algo do género» e eu não quero acabar na arca frigorífica de ninguém). Depois, a outra categoria de pessoas, os: o-que-será-de-mim-quando-te-fores-embora, esses já são amigos mais chegados e essa frase até nos deixa algo emocionados e reticentes em ir embora, especialmente quando vamos para uma terra onde não temos amigos, mas as coisas acabam por cair por terra qual castelo de cartas quando convidas essas pessoas para sair e elas cortam-se, ou então ficas a espera que te convidem, mas parece que o pombo correio se enganou na casa ou então quando a pessoa que te diz isso é tua amiga, vive na cidade que tu mas raramente a vês (meu, como é que vais ter saudades minhas se mal me vês, vai ser como se eu continuassem em Albufeira). Porquê que as pessoas não se limitam a dizer algo mais minimalista e coerente em vez de se meterem em frases complexas que não transparecem em nada aquilo que sentem?! É bonito de se dizer, mas no fundo torna-se ridículo quando comparado com as atitudes deles. Mas também quem sou para julgar estas coisas: quantos de nós seguem aquilo que dizem? Se nem os políticos e os padres o fazem, porque haveriam as pessoas comuns de o fazer?

Já parei de pensar que esses amigos que dizem passar por uma depressão pós-Camila quando eu me for embora vão fazer uma festa surpresa de despedida e tudo mais, porque pelo que dizem, era o que iriam fazer, mas as suas atitudes mais parecem revelar que a festa surpresa vai ser para comemorar a minha ida. Uma das coisas que a vida me ensinou foi a dar valor àqueles que se preocupam connosco de verdade, e tal vê-se pelos actos.

Agradeço a todos que se tem mostrado incansáveis nos apoios nesta nova reviravolta na minha vida e que tem feito de tudo para que eu me divirta nos últimos dias em Portugal. Aos outros, só me resta dizer que se lembrem tenuemente de mim, pelo menos quando virem o Robert Pattinson podem dizer: «Lembram-se daquela moça, a Camila, ela gastou uma fortuna no cinema para ver o Lua Nova duas vezes só para ver esse tipo». Yeah, that’s me.

Ps: Desculpem o tamanho colossal do posto, acho que vou trazer o minimalismo aos meus textos.

3 comentários:

nay disse...

eu não suporto despedidas... meus amigos de escola foram todos embora... e eu fiquei fazendo faculdade na cidade onde nasci... meus amigos da faculdade foram todos embora.. e eu fiquei sozinha trabalhando com o que não queria.. e lamentando a perda do meu pai.. em julho do ano passado, avisei que ia embora... não apareceu assustar muita gente... e quando vim em dezembro passado... exceto uma amiga que veio fazer concurso e outra que só via uma vez ao mês por causa do trabalho.. tive uma despedida digna.. ^^ mas para evitar qualquer sofrimento... vim praticamente, sem me despedir de ninguém.. mas acredito que coisas boas nunca irão desaparecer, embora encarar o novo seja delicioso e viciante... antes eu tinha um carro velho... hoje ando a pé.. experimento de uma liberdade que precisava..

Camilla K. Boyle disse...

Sei como se sente, Nay. Também quando fui para faculdade acabei por me afastar de muitos amigos antigos, embora tenha feito amigos novos, acho que foi pela mudança de interesses. Com final da faculdade foi cada um para seu canto e fiquei c um grupo bastante restrito, do qual só posso citar um ou outro com quem conviva mais. Penso que à medida que vamos envelhecendo a lista de amigos vai minguando. O bom disso são aqueles que sempre nos acompanham e a possibilidade de fazer amigos novos sem termos correntes presas a ninguém. Liberdade é tudo que um bad traveler precisa xD

Rafinha disse...

Camy!!!
Nos dias de hoje, talvez como falamos ontem, não há distâncias!
U go Girl and Rock their World!
Não há evolução sem aventura, sem correr riscos, sem deixar a vida fluir! É com esse fluir que se aprende, que se cresce e que se vê quem são as pessoas que efectivamente fazem falta na nossa vida! O resto é só paisagem!
Tu és a maior e vais conquistar o teu espaço ao sol (nem que eu tenha que te dar um xute no rabo para te fazer andar para a frente!)
Luv Ya!