Dia 19 já está quase aí o tempo urge. Neste momento sinto-me como se tivesse uma agenda semelhante à de um actor de Hollywood (e eu que pensava que essas grandes estrelas passavam o dia na piscina a beber martinis e a comerem-se uns aos outros). Ainda há coisas a fazer antes de me ir embora, pessoas de quem tenho de me despedir e por aí a fora. Tanta coisa e tão pouco tempo. E claro, tenho-me deparado sempre com as grandes situações que afectam os viajantes.
- Como é que vou conseguir enfiar 15kg em cada uma das duas malas que tenho que levar (totaliza 30kgs). Isso implica uma escolha minuciosa no guarda-roupa, porque da indumentária toda que tenho, e vocês sabem como são as mulheres, tenho que escolher algo prático e confortável para usar por lá, mas já sei que depois, quando estiver a analisar a roupa que levei, vai ser: «porquê que trouxe estas calças? Não combinam com estes ténis!» «Qual o propósito da camisa turquesa? Não há nada que combine com essa cor!». Grrr… porquê que não inventam uma daquelas cápsulas que aparecem no Dragon Ball? Assim era muito mais fácil transportar as coisas, incluindo o guarda-fato.
- Nesses 30kg tenho que seleccionar alguns livros para levar, o que é algo frustante, porque 30kg deve ser o peso da primeira prateleira da minha biblioteca (modéstia à parte). Como escolher qual levar? De certeza que quando estiver em Inglaterra, a ler um exemplar de «Rebecca» de Daphene du Marrier à meia-luz do candeeiro vou atirar o livro para um canto (de maneira cuidadosa, porque os livros são para ser tratados com amor) e vou dizer: «Porquê que trouxe este? Eu quero é ler Os Maias (outra vez!).»
- Ainda nesses 30kg há que arranjar espaço para levar recordações para as pessoas que nos esperam na outra terra. Porquê que toda a gente que vem a Portugal leva sempre uns quilinhos de bacalhau para casa? Ok, costuma-se dizer que em Portugal há mil e uma maneiras de se comer bacalhau, mas não é um bacalhau uma criatura das profundezas norueguesas? (tenho que perguntar a quem já foi à Noruega se costuma trazer bacalhau). Bom, pelo menos é mais prático levar bacalhau congelado na mala do que sardinhas (eu gosto do Algarve, mas não quero levar o aroma dele dentro da minha mala!). Porquê que não me pediram uma garrafinha de vinho do Porto? Ah, claro, porque a maior parte das adegas desse vinho pertencem aos ingleses (deve ser mais fácil arranjar Porto na Inglaterra que bacalhau. Pelo menos é o que me parece quando os turistas ingleses ficam sempre tão espantados por os portugueses comerem bacalhau com espinhas e não ser uma versão foleira congelada tipo «Fish Fingers»).
- Preocupa-me sempre que vão implicar com os nossos documentos no aeroporto. Sabem como é, os documentos tem aquele prazo de vencimento longuíssimo e então acho que tenho o mesmo Bilhete de Identidade desde os meus 15 anos (e graças a Deus mudei bastante). É um bocado difícil dizer que me pareço com o que era há 6 anos atrás, e isso é visível nas fotos. Só espero que não pensem que os documentos são roubados. Não sei porquê mas tenho sempre a expectativa de que o polícia me vá perguntar: «Onde é que está a verdadeira Camila Santos?». E depois já sabem, aparece a Imigração, mandam-te para uma sala fechada com aqueles pobres coitados da Nigéria ou de qualquer um daqueles países de que só ouvimos falar nos Jogos Olímpicos, depois somos deportados (e rezar para que nos mandem para o sítio certo. Pergunto-me porquê que acham que Portugal é uma província espanhola).
- As fotos dos passaportes fazem-nos sempre parecer um daqueles mexicanos chamados Consuelo ou Gusmarro que foram apanhados na fronteira mexicana com o Texas. Porquê que não podemos sorrir nessas fotos!
Acho melhor ir fazer as malas!
Obs: Apesar deste post a roçar a tentativa frustrada de humor, devo dizer que uma parte de mim (e uma parte bem grande) está de “luto”. É algo de que muitos de vocês irão rir, principalmente aqueles que não sabem o que é gostar muito de um bichinho de estimação, mas hoje encontrei o meu gato que estava foragido há uma semana, morto. Só queria prestar-lhe uma humilde “homenagem” neste espaço. Acho que ele é um campeão por ter-me aturado tanto tempo.
- Como é que vou conseguir enfiar 15kg em cada uma das duas malas que tenho que levar (totaliza 30kgs). Isso implica uma escolha minuciosa no guarda-roupa, porque da indumentária toda que tenho, e vocês sabem como são as mulheres, tenho que escolher algo prático e confortável para usar por lá, mas já sei que depois, quando estiver a analisar a roupa que levei, vai ser: «porquê que trouxe estas calças? Não combinam com estes ténis!» «Qual o propósito da camisa turquesa? Não há nada que combine com essa cor!». Grrr… porquê que não inventam uma daquelas cápsulas que aparecem no Dragon Ball? Assim era muito mais fácil transportar as coisas, incluindo o guarda-fato.
- Nesses 30kg tenho que seleccionar alguns livros para levar, o que é algo frustante, porque 30kg deve ser o peso da primeira prateleira da minha biblioteca (modéstia à parte). Como escolher qual levar? De certeza que quando estiver em Inglaterra, a ler um exemplar de «Rebecca» de Daphene du Marrier à meia-luz do candeeiro vou atirar o livro para um canto (de maneira cuidadosa, porque os livros são para ser tratados com amor) e vou dizer: «Porquê que trouxe este? Eu quero é ler Os Maias (outra vez!).»
- Ainda nesses 30kg há que arranjar espaço para levar recordações para as pessoas que nos esperam na outra terra. Porquê que toda a gente que vem a Portugal leva sempre uns quilinhos de bacalhau para casa? Ok, costuma-se dizer que em Portugal há mil e uma maneiras de se comer bacalhau, mas não é um bacalhau uma criatura das profundezas norueguesas? (tenho que perguntar a quem já foi à Noruega se costuma trazer bacalhau). Bom, pelo menos é mais prático levar bacalhau congelado na mala do que sardinhas (eu gosto do Algarve, mas não quero levar o aroma dele dentro da minha mala!). Porquê que não me pediram uma garrafinha de vinho do Porto? Ah, claro, porque a maior parte das adegas desse vinho pertencem aos ingleses (deve ser mais fácil arranjar Porto na Inglaterra que bacalhau. Pelo menos é o que me parece quando os turistas ingleses ficam sempre tão espantados por os portugueses comerem bacalhau com espinhas e não ser uma versão foleira congelada tipo «Fish Fingers»).
- Preocupa-me sempre que vão implicar com os nossos documentos no aeroporto. Sabem como é, os documentos tem aquele prazo de vencimento longuíssimo e então acho que tenho o mesmo Bilhete de Identidade desde os meus 15 anos (e graças a Deus mudei bastante). É um bocado difícil dizer que me pareço com o que era há 6 anos atrás, e isso é visível nas fotos. Só espero que não pensem que os documentos são roubados. Não sei porquê mas tenho sempre a expectativa de que o polícia me vá perguntar: «Onde é que está a verdadeira Camila Santos?». E depois já sabem, aparece a Imigração, mandam-te para uma sala fechada com aqueles pobres coitados da Nigéria ou de qualquer um daqueles países de que só ouvimos falar nos Jogos Olímpicos, depois somos deportados (e rezar para que nos mandem para o sítio certo. Pergunto-me porquê que acham que Portugal é uma província espanhola).
- As fotos dos passaportes fazem-nos sempre parecer um daqueles mexicanos chamados Consuelo ou Gusmarro que foram apanhados na fronteira mexicana com o Texas. Porquê que não podemos sorrir nessas fotos!
Acho melhor ir fazer as malas!
Obs: Apesar deste post a roçar a tentativa frustrada de humor, devo dizer que uma parte de mim (e uma parte bem grande) está de “luto”. É algo de que muitos de vocês irão rir, principalmente aqueles que não sabem o que é gostar muito de um bichinho de estimação, mas hoje encontrei o meu gato que estava foragido há uma semana, morto. Só queria prestar-lhe uma humilde “homenagem” neste espaço. Acho que ele é um campeão por ter-me aturado tanto tempo.
5 comentários:
primeiro, meus sentimentos pelo gato.. eu perdi o meu em 2007.. não sei o que aconteceu com ele, foram tempos difíceis..
quanto a mala.. não sou boa conselheira.. nessa louca mudança, de 15 malas, eu mais minha tropa (de 2) perdemos a minha mala com todas as minhas bijuterias (sim todas!), e algumas maquiagens (sorte algumas) e umas coisinhas que trazia do passado e uns presentinhos recentes.. (esses que doeram mais)... Esse dilema feminino, do que levar, o fazer.. é algo que ainda deve ser estudado pelos cientistas.. quanto a livros.. separei uns para estudar, enquanto a mudança não vem... e já estou precisando de outros... Bom, se você cansar do qual está lendo.. aproveite para olhar o céu...
Não sei o que é pior, bacalhau, farinha, ou pimenta.. a pimenta que eu trouxe estragou ^^ E a minha identidade é de quando eu tinha 5 anos de idade.. :D coisas da vida...
ê menina.. o tempo é curto.. faça as malas em meia hora e curta o resto!!!!!
E se eu não te ver qualquer dia desses antes do dia 19, nessas esquinas da vida.. Boa Viagem!!
LOL!
Amei!!!
Sério, tu és demais!
Quanto às malas não tenhas stress - basta mandares uns saltos lá em cima que a coisa ajeita sozinha!
Quanto às fotos... ah e tal, acho que te vou começar a chamar Juanita!
* * *
P.S. Quanto ao gatinho... ele foi para um sítio melhor!
Miloca,
devo confessar que estou meio perdida com todas estas mudanças repentinas. Na última vez que falámos estavas a pensar ir para Londres, tivemos mais umas das nossas conversas "à Camila e à Ana" e tudo estava em águas de bacalhau. Entretanto acabou mais um ano e com ele muita tristeza pelo meio, misturada com um certo alívio; a confusão do desemprego e este choque inicial que relatas também eu o senti na pele.
Já foram muitas as lágrimas que limpei ao lembrar-me dos maravilhosos anos que passámos juntas. Foram pequenos grandes momentos que me marcaram para sempre e pelos quais te agradeço por ter podido usufruir da tua companhia naquela que foi a última grande jornada escolar da minha vida. Foste, sem dúvida, a maior e a melhor companheira de sempre, contigo pude ser eu própria e por isso te agradeço.
Depois de tanta confusão, eu acabei por achar o meu caminho, ou pelo menos o inicio de mais outra grande jornada, no inicio deste ano. Comecei a trabalhar num trabalho que adoro mas que, infelizmente, me tem consumido todo o tempo disponível, fazendo com que me distanciasse de tudo e de todos, inclusivamente de ti. Tenho muita pena por não te ter acompanhado nestas tuas últimas semanas por cá e por não ter podido estar ao teu lado neste momento tão doloroso que tenho a certeza ser a perda do teu gato. Acompanhei de perto os seus primeiros meses de vida e sei o quanto ele era especial para ti, sinto muito e espero que ele esteja num lugar muito melhor que este. Jamais me perdoarei.
Quero que saibas que vou ter muitas saudades de tudo o que vivemos juntas e que ainda agora me dá um nó na garganta de te "ver partir". Há coisas que nunca deviam acabar (sabes que eu e o Sindrome de Peter Pan caminhamos juntos). Espero sinceramente que sejas muito feliz e que encontres tudo o que procuras, desejo para ti tudo o que de bom desejo para mim. As portas da minha casa estarão sempre abertas para ti. Os meus pais perguntam-me sempre pela Camila e querem que saibas que serás sempre bem-vinda.
Embora caminhemos agora por caminhos separados, fica aqui comigo o pouquinho de ti e um lugar no coração que fica vazio e que dói, mas ao mesmo tempo tão cheio, cheio de boas lembranças. Um beijinho muito grande e um abraço muito, muito, muito apertado, desta tua sempre Amiga (e chorona), Ana.
Estamos sempre juntas.
(L)
Ana... fizeste-me chorar!
Sinto pelo s bichano. As vezes os animais são mais amigos de nós que os homo sapiens. Que bom que voltou a escrever, pois é sempre bom te ler. Tem texto novo no Sub Mundo. Bjus.
http://submundosemmim.blogspot.com
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